Erling Haaland acaba de reescrever as regras do impossível – e ameaça pulverizar todos os recordes internacionais de golos, com uma eficácia que desafia a lógica e a história do futebol mundial. Na noite em que a Noruega conquistou a sua primeira vitória em fases a eliminar de um Campeonato do Mundo, o avançado nórdico selou o triunfo sobre a Costa do Marfim (2-1) com um golo decisivo, continuando a alimentar a lenda de ser um dos maiores finalizadores da era moderna.
O palco foi Dallas, onde a selecção norueguesa se tornou a primeira equipa europeia a garantir presença nos oitavos de final, ultrapassando gigantes como a Alemanha e os Países Baixos, e igualando o feito de 1998, há 28 anos atrás. Haaland, com o habitual elmo viking na cabeça e um sorriso rasgado, celebrou com os adeptos e colegas a histórica passagem, enquanto Martin Odegaard comandava a icónica 'Viking Row' ao ritmo do tambor. O golo de Haaland, ainda que pouco vistoso – um remate atrapalhado após assistência de Patrick Berg, que o guarda-redes Yaya Fofana quase travava em cima da linha – foi, no entanto, o mais importante da sua carreira internacional até à data.

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Este feito eleva o registo de Haaland para uns impressionantes 60 golos em 53 jogos pela selecção principal, o que se traduz numa média absolutamente estrondosa: um golo a cada 72 minutos. Até agora, a maioria dos seus golos tinham sido marcados contra selecções de menor expressão – cinco frente à Moldávia, outros tantos em 'hat-tricks' contra Roménia, Cazaquistão e Gibraltar –, mas, no Mundial de 2026, o norueguês tem finalmente mostrado serviço ao mais alto nível, com cinco golos em apenas três jogos. Só Lionel Messi marcou mais golos do que Haaland nesta fase da competição nos Estados Unidos.
A importância deste momento não se resume à estatística. Para Haaland, que nunca tinha actuado numa grande competição internacional devido às recorrentes ausências da Noruega, estes golos representam a consagração definitiva no palco mundial. O seu rendimento transcende a simples eficácia: tornou-se o talismã de uma selecção que surpreende o planeta, e cada golo aproxima-o mais do estatuto de lenda. Wayne Rooney, antigo capitão inglês e actual comentador, não poupou elogios ao afirmar: “A Noruega é uma excelente equipa, e isso deve-se inteiramente a esse homem. Pelos seus golos, provou que pertence ao patamar do Campeonato do Mundo”. Rooney acrescentou ainda: “É simplesmente devastador. Não esteve muito em jogo, mas apareceu para marcar o golo da vitória”.
Steph Houghton, também antiga internacional inglesa, sublinhou: “A Noruega teve o toque de qualidade final. Era óbvio que o gigante norueguês iria acabar por decidir o encontro”. As palavras dos especialistas ecoam o sentimento dos adeptos noruegueses: em declarações ao BBC Sport em Dallas, um dos presentes revelou: “Ele significa tudo para nós. É decisivo nestes momentos. É um dos principais motivos porque nos qualificámos e ganhámos hoje. É, de longe, o jogador mais importante. O maior de sempre da Noruega e provavelmente o melhor que alguma vez teremos”.
A caminhada de Haaland neste Mundial é notável também pela regularidade. O avançado marcou em cada um dos últimos 13 jogos oficiais pela Noruega, somando 25 golos nessa sequência. Entre as vítimas estão não apenas equipas modestas, mas também adversários de peso, como a Itália – à qual bisou no jogo que selou o apuramento para o Mundial. No torneio actual, já marcou dois golos frente ao Iraque, outros dois frente ao Senegal, e foi poupado no embate frente à França, onde se evitou um duelo directo com Kylian Mbappé. De regresso ao onze, foi novamente decisivo contra a Costa do Marfim.
Apesar das estatísticas que impressionam qualquer adepto, Haaland nem sempre é o protagonista em todos os momentos do jogo. Em Dallas, fez apenas 10 passes (oito certos) e tocou na bola 27 vezes, metade das quais no seu próprio meio-campo. Ainda assim, a sua eficácia e o seu instinto mantêm-no sempre pronto a decidir – apenas seis dos seus golos pela Noruega foram de grande penalidade, e quase todos surgem nos momentos cruciais.
O seleccionador Stale Solbakken resumiu o sentimento nacional ao afirmar: “Marcar cinco golos num Mundial em três jogos, por um país pequeno como a Noruega, não o trocaria por ninguém”. E deixou no ar a ambição: “É o maior marcador de golos do futebol mundial”.
O próximo desafio da Noruega será frente ao Brasil, num duelo que promete ser um verdadeiro hino ao futebol. Haaland, já com 60 golos em 53 jogos, parece imparável e, se mantiver este ritmo diabólico, poderá chegar aos 260 golos internacionais – uma marca que, para muitos, seria impensável. A Noruega sonha, Haaland cumpre – e o mundo do futebol assiste, incrédulo, ao nascimento de mais uma lenda.
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