Jannik Sinner, actualmente número um do mundo, venceu Nuno Borges em três sets no emblemático relvado de Wimbledon, mas a sua exibição deixou muitos adeptos e especialistas perplexos, incluindo o antigo campeão Andy Roddick. Apesar do triunfo, Sinner tem mostrado fragilidades inesperadas precisamente quando está a defender o título mais importante da sua carreira, levantando dúvidas sobre a sua real capacidade de repetir o feito em 2025.
O italiano segue para a terceira ronda após derrotar Miomir Kecmanovic e Nuno Borges consecutivamente, mas ambas as exibições ficaram longe de convencer. Os números não mentem: Sinner já acumulou 43 erros não forçados do lado direito apenas nos dois primeiros encontros de Wimbledon, um valor mais do triplo em relação ao que registou na mesma fase do torneio no ano passado. Este dado é particularmente alarmante porque o seu forehand tem sido, até agora, uma das suas maiores armas, sobretudo durante o impressionante percurso na temporada de terra batida europeia.

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A debilidade do forehand de Sinner tornou-se o tema central do torneio até agora, mas o que verdadeiramente surpreendeu os bastidores foi a forma desarmante como o italiano admitiu as suas dificuldades. Andy Roddick, numa intervenção no programa “Served”, revelou o espanto perante a honestidade de Sinner numa conversa informal com Caroline Wozniacki. “Alguém perguntou-lhe na conferência de imprensa como estava o forehand. E ele respondeu: ‘Não está grande coisa’. Contou à Caroline Wozniacki, aparentemente, de forma casual. Ela perguntou-lhe: ‘Então, como estás?’ e ele disse: ‘O meu forehand não está muito bom neste momento.’”, relatou Roddick, visivelmente incrédulo. O antigo número um mundial confessou ainda: “Eu teria mentido. Provavelmente teria mentido sobre isso. Ele está à procura de algo, mas o serviço acabou por salvá-lo um pouco.”
A franqueza de Sinner não passou despercebida e lança uma série de questões sobre a forma mental e técnica do jogador. John McEnroe, outro nome histórico do ténis, já deixou no ar que os problemas físicos do italiano poderão ser “sobretudo mentais”, enquanto John Lloyd avisa que Sinner “pode não estar a 100%”, o que abre o torneio para outros candidatos. Estes sinais de fraqueza, aliados a um rating do forehand que caiu para uns preocupantes 6.7 – inferior ao de vários jogadores fora do top-50 – deixam claro que há trabalho urgente a fazer.
No entanto, há também sinais positivos: Sinner parece plenamente consciente da lacuna e tudo indica que a dupla técnica, composta por Darren Cahill e Simone Vagnozzi, está a tentar encontrar soluções rápidas para resgatar o melhor do italiano. A sua prestação ao serviço tem sido, de resto, um dos poucos pontos de equilíbrio, ao compensar os pontos gratuitos cedidos pelo forehand errático.
O futuro imediato de Sinner em Wimbledon está longe de ser tranquilo. Com adversários cada vez mais exigentes no horizonte – Rafael Jodar na quarta ronda, Daniil Medvedev nos quartos-de-final e, potencialmente, Novak Djokovic nas meias-finais – o italiano terá de elevar substancialmente o seu nível se quiser voltar a erguer o troféu. O próximo desafio será frente a Jenson Brooksby, encontro que marca o seu primeiro confronto desde 2021, ano em que Sinner levou a melhor nas meias-finais do Open de Washington.
Numa fase em que todos esperam respostas de Sinner, a questão essencial mantém-se: conseguirá ele ultrapassar as suas fragilidades técnicas e psicológicas a tempo de continuar a defender o título? Ou estamos perante a implosão surpreendente do campeão em título perante os olhos de todo o mundo do ténis? Certo é que as próximas rondas de Wimbledon prometem tensão máxima e uma luta sem tréguas pelo lugar mais alto do pódio.
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