O adeus de James Rodríguez à selecção colombiana ficou marcado pela impotência de quem, outrora, encantou o mundo. No final de um jogo arrastado e sem brilho, o histórico médio ofensivo viu-se relegado ao papel de espectador, incapaz de reverter o destino da sua equipa.
No BC Place Stadium, em Vancouver, perante milhares de adeptos, James Rodríguez abandonou o relvado aos 66 minutos do derradeiro jogo da Colômbia neste Mundial, antes do prolongamento sem golos e da derrota nos penáltis frente à Suíça. Este encontro, encerrado debaixo de um calor sufocante e com a cobertura fechada do estádio, assinalou a 123.ª internacionalização de James, tornando-o o jogador mais internacional de sempre da Colômbia, ultrapassando David Ospina.

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O ambiente nas bancadas perdeu intensidade à medida que o jogo decorria, com ambas as equipas a revelarem dificuldades em criar oportunidades claras. No momento decisivo dos penáltis, James limitou-se a juntar-se aos companheiros no banco, de braços dados, antes de cair de joelhos, resignado ao desfecho. O aplauso sentido do público quando deixou o campo não foi tanto uma celebração do que fez em campo nesse dia, mas sim um tributo à carreira e ao legado que deixa na selecção.
A despedida de James fica longe do romance que muitos poderiam ter antecipado, sobretudo recordando as exibições brilhantes do Mundial 2014, no Brasil, onde o seu talento impulsionou a Colômbia até aos quartos-de-final. Esta edição, porém, ficou marcada por uma prestação sem rasgo, longe dos seus melhores tempos. Ainda assim, a devoção dos adeptos manteve-se inabalável, com a maioria a ostentar orgulhosamente a camisola com o número 10 de James.
O desfecho não foi apenas sobre James. Para a Colômbia, significou mais uma oportunidade perdida de redenção, com a equipa a falhar uma desejada presença na final da Copa América de 2024 contra a Argentina. A frustração adensou-se ao perceber-se que, apesar das esperanças depositadas, o ciclo se fechava sem o tão ambicionado troféu.
James Rodríguez, que se destacou mundialmente com os seis golos que lhe valeram a Bota de Ouro em 2014, nunca conseguiu replicar esse fulgor ao serviço dos grandes clubes europeus, apesar dos títulos conquistados. Foi sempre pela selecção que se definiu enquanto futebolista, com 31 golos em 123 jogos, a proporcionar momentos inesquecíveis para uma geração.
A sua presença neste Mundial esteve sempre envolta em incerteza, resultado de um percurso recente instável por seis clubes em sete épocas. Após abandonar o Club Léon de forma discreta, assinou pelo Minnesota United para a primeira metade da época na MLS. No entanto, não conseguiu impor-se nas escolhas do treinador Cameron Knowles, com lesões a travarem o seu regresso à melhor forma.
Curiosamente, o ciclo de James na MLS começou precisamente no BC Place com uma pesada derrota por 6-0 frente ao Vancouver Whitecaps FC, em Março. Jamais poderia imaginar que, 114 dias depois, ali terminaria também o seu percurso mundialista. Com o penálti decisivo de Rubén Vargas a sentenciar a eliminação, tudo aponta para o fim da carreira internacional – e, possivelmente, do próprio percurso de James enquanto futebolista, dado que o seu vínculo com o Minnesota United não deverá ser prolongado.
Fica, assim, a imagem de um jogador que transcendeu o futebol colombiano, mas para quem, nesta noite em Vancouver, tudo o que restou foi assistir de fora, enquanto a história seguia o seu curso.
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