Nemanja Vidić, lendário ex-capitão do Manchester United, enfrentou ameaças de morte após criticar publicamente a Federação de Futebol da Sérvia (FSS) devido à falha do país em qualificar-se para o Euro 2020. A revelação foi feita pelo próprio Vidić numa entrevista exclusiva ao The Athletic, onde detalhou o impacto destas ameaças na sua vida pessoal e profissional.
Após a derrota da Sérvia frente à Escócia nas grandes penalidades, que impediu a qualificação para o Europeu de 2021, adiado devido à pandemia de Covid-19, Vidić escreveu uma carta aberta à FSS. Como o jogador sérvio mais famoso e antigo capitão do Manchester United, as suas palavras têm grande peso, mas a resposta que recebeu ultrapassou o esperado, assemelhando-se a cenas de um filme de gangster. O ex-jogador revelou que mensagens ameaçadoras, alegadamente enviadas por Slavisa Kokeza, ex-presidente da FSS, incluíam avisos para “ficar longe da associação ou acabar num vala”. As mensagens, obtidas pelo OCCRP e pelo portal de investigação sérvio KRIK, referiam ainda que Vidić estaria a ser vigiado e que se falava em ataques físicos contra ele.

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Na primeira entrevista em inglês sobre o assunto, Vidić explicou a sua reação inicial: “O meu primeiro pensamento foi de sarcasmo, algo do tipo: ‘Isto vai ser interessante se um dia escrever um livro’”. Contudo, ao ler as mensagens, “mudei de atitude ao perceber a seriedade das ameaças”. O ex-internacional de 56 jogos pela Sérvia confessou surpresa ao saber que Kokeza teria falado com terceiros para o intimidar e que lhe tinham colocado um rastreador no carro. “Alguns amigos aconselharam-me a ter cuidado, mas falei porque amo o futebol sérvio e queria que melhorasse para o bem do país, dos jogadores e treinadores. Não fiz acordos nem tenho ligações políticas, apenas expressei a minha opinião”.
Vidić sublinhou que as ameaças também visaram outros jogadores, como Nemanja Matić, tentando silenciá-los. Embora não se tenha sentido pessoalmente amedrontado, admitiu que “foi diferente para a minha família quando leu aquelas mensagens”. Além disso, lamentou não ter alcançado mais com a seleção sérvia e defendeu a importância do futebol como instrumento para formar não só atletas, mas também “bons humanos” e líderes, destacando o valor do espírito de equipa e do respeito pelas regras.
Na sequência deste escândalo, o Ministério Público para o Crime Organizado da Sérvia abriu uma investigação. Em comunicado, confirmou que “foi instaurado um processo com base em denúncias públicas e que Vidić foi convocado para prestar declarações”. O órgão está a recolher informações com o Ministério do Interior, incluindo comunicações do antigo presidente da FSS, Slavisa Kokeza, e promete continuar a atuar dentro da sua jurisdição.
Este caso expõe uma faceta obscura do futebol sérvio e coloca sob escrutínio a administração da FSS, enquanto a justiça procura apurar responsabilidades. A coragem de Vidić em denunciar estas irregularidades lança um alerta para o ambiente tóxico que pode existir no futebol, com implicações que vão muito para lá dos relvados.
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