A dois dias da final do Mundial e do provável adeus de Lionel Messi ao maior palco do futebol, o astro argentino mantém-se discreto, preferindo que os seus pés falem mais alto do que as palavras. No centro de conferências Javits, em Nova Iorque, Messi foi recebido como uma verdadeira estrela do rock por centenas de adeptos, mas evitou as câmaras e as perguntas, deixando o protagonismo para os colegas e treinadores.
A final de domingo, no MetLife Stadium, opõe Argentina a Espanha, num duelo que pode inscrever a Albiceleste na história como a primeira equipa desde o Brasil de Pelé em 1962 a conquistar dois títulos mundiais consecutivos. Aos 39 anos, Messi lidera a sua equipa na terceira final em quatro edições do Mundial, depois de perder a final de 2014 e triunfar há quatro anos no Qatar. Apesar da pressão, o capitão argentino evitou comentários sobre a importância do momento, preferindo deixar que o seu talento no relvado fale por si.

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Lionel Scaloni, selecionador da Argentina, destacou a magnitude de Messi: “É o melhor futebolista que o mundo já viu. É algo lindo, e conseguir chegar a uma final aos 39 anos é algo inacreditável. Temos de desfrutá-lo como fizemos com Diego Maradona. Ainda sentimos falta dele, mas Messi está connosco. Ele é a lenda que trouxe estes anos maravilhosos.” Questionado se esta será a última vez de Messi com a camisola celeste e branca, Scaloni respondeu: “Perguntem-lhe a ele. Não faço ideia. Ele não deixa de nos surpreender.”
Messi partilha a liderança da corrida pela Bota de Ouro com Kylian Mbappé, ambos com oito golos, mas o argentino leva vantagem graças a mais assistências. Além disso, é um dos principais candidatos à Bola de Ouro, podendo ser pela terceira vez o melhor jogador do torneio. Nos momentos decisivos, Messi tem sido peça fundamental, especialmente nas recuperações dramáticas da Argentina, como a vitória por 2-1 sobre Inglaterra nas meias-finais, onde ofereceu duas assistências.
Apesar da possibilidade de este Mundial significar o fim da sua carreira internacional, Messi não se irá reformar do futebol, continuando no Inter Miami na Major League Soccer. O meio-campista espanhol Rodri resumiu o impacto do argentino: “Vai além das palavras o que Messi representa como jogador e para a Argentina. Para mim, é claramente o melhor de sempre.”
A final traz ainda um duelo geracional, com o jovem espanhol Lamine Yamal, de 19 anos, a tentar seguir os passos do ídolo argentino. O destino uniu-os numa fotografia icónica tirada em Barcelona quando Yamal ainda era bebé e Messi tinha 19 anos. Questionado sobre o adversário, Messi afirmou: “É um dos melhores jogadores do mundo atualmente, desejo-lhe o melhor. Tem todo o futuro pela frente e a oportunidade de fazer história, mas nós também vamos dar o nosso melhor.”
Luis de la Fuente, treinador espanhol, afirmou sobre Yamal: “Messi é um jogador único na história. É um exemplo e um modelo para os jovens. No seu lugar, digo-lhe para ser ele próprio, pois tem um grande potencial e futuro.” O guarda-redes argentino Emi Martínez salientou que a Espanha não depende só do jovem talento: “Eles têm uma grande equipa e estão na final por mérito. Espero que seja uma final histórica para os adeptos.”
Com Messi a aproximar-se do fim da sua era com a Argentina, a final do Mundial promete ser um momento inesquecível para o futebol mundial. A atenção estará inevitavelmente voltada para o génio argentino, numa última dança que pode eternizar ainda mais o seu legado.
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