Lionel Scaloni está prestes a alcançar um feito quase inimaginável: conduzir a Argentina a um novo título mundial, após ter assumido o comando da Seleção de forma improvável e discreta. A sua ascensão, desde o interino após o desastroso ciclo de Jorge Sampaoli até ao topo do futebol mundial, é uma verdadeira revolução silenciosa.
Scaloni tomou as rédeas da Albiceleste após o fracasso no Mundial da Rússia em 2018, quando todos esperavam que Diego Simeone fosse o escolhido para liderar a equipa. O antigo extremo do Deportivo La Coruna e Lazio foi o único elemento da equipa técnica de Sampaoli a permanecer, fruto da “dívida” paga ao ex-treinador, que o conhecia desde Santa Fe, onde Scaloni cresceu. Com apenas três anos de carreira técnica, o treinador trouxe consigo nomes como Fabián Ayala, Walter Samuel e Pablo Aimar para o seu staff, insuflando uma nova energia e experiência vencedora ao grupo.

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A sua predisposição natural para a liderança já se fazia notar nos seus últimos tempos como jogador, nomeadamente na Atalanta. Stefano Colantuono, antigo treinador seu, recorda que Scaloni era uma “figura respeitada no balneário, um elo entre o treinador e os jogadores sul-americanos”. Para Colantuono, o argentino já demonstrava uma inteligência tática e uma capacidade de gestão de grupo que apontavam para um futuro brilhante no comando técnico. “Ele era já um treinador em campo e fora dele, sempre a tomar decisões acertadas e a liderar o grupo com serenidade”, afirmou.
Formado no histórico Deportivo da era de Javier Irureta, onde conquistou LaLiga, Supertaças e a Taça do Rei, Scaloni teve uma carreira sólida em vários países europeus. Como treinador, surgiu num ambiente complicado, marcado pela pressão e pela necessidade de renovar a equipa nacional. Contudo, a sua calma e capacidade de manter o grupo unido, especialmente numa equipa com estrelas como Lionel Messi, foram decisivas. Scaloni soube gerir os talentos e os momentos difíceis, como ficou evidente nas substituições estratégicas contra a Inglaterra, que permitiram a reviravolta no jogo.
À medida que se aproxima da sua quarta final – depois de já ter conquistado um Mundial e duas Taças América –, Scaloni cimenta a sua reputação como um dos treinadores mais inteligentes e eficazes do futebol atual. Em Nova Jérsia, buscará a quarta estrela para a Argentina, elevando o seu estatuto a uma verdadeira lenda da seleção. A sua liderança serena e táctica demonstram que, por vezes, é na humildade e no trabalho silencioso que se constroem os maiores triunfos.
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