A Federação Asiática de Futebol (AFC) denunciou a FIFA por estar a minar as bases do futebol ao não consultar as confederações sobre a sua intenção de vender participações da Copa do Mundo a investidores privados. A acusação surge na sequência de um acordo entre a FIFA e a Thrive Capital de Joshua Kushner, que prevê a venda de 20% de uma nova empresa que irá controlar os direitos comerciais de todos os torneios globais.
Na carta enviada na quinta-feira pelo presidente da AFC, Salman bin Ibrahim al-Khalifa, aos 47 membros da confederação, a FIFA é criticada por agir de forma unilateral, sem considerar as opiniões ou preocupações das entidades que compõem o futebol mundial. Al-Khalifa expressou a preocupação de que a falta de consulta prévia e a ausência de uma análise detalhada sobre a proposta e as suas repercussões são “totalmente inaceitáveis”.
O contexto deste conflito é significativo, dado que a AFC foi anteriormente um dos principais apoiantes de Gianni Infantino, presidente da FIFA, prometendo votar em massa na sua reeleição no próximo ano. Com o apoio da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) e da Confederação Africana de Futebol (CAF) a Infantino, a posição da AFC torna-se crítica, especialmente numa altura em que as confederações europeia e norte-americana (UEFA e Concacaf) se opõem firmemente à venda das participações.
Al-Khalifa sublinhou na sua comunicação que a FIFA não só não consultou a AFC, como também impôs um prazo irreais para que as associações nacionais decidissem sobre a aceitação de um pagamento inicial de 20 milhões de dólares, gerado pela venda. “Surpreende-nos que o cronograma atual permita um período extremamente limitado para a consideração de uma proposta de tal importância, quando decisões deste tipo não devem ser apressadas”, escreveu.
A FIFA está a ser chamada a rever a sua abordagem, sendo essencial que todas as confederações estejam envolvidas no processo decisório. A AFC enfatizou a necessidade de uma avaliação abrangente, incluindo a devida diligência legal e de governança. A UEFA, por sua vez, convocou uma reunião de emergência na tarde de quinta-feira, onde a possibilidade de um boicote aos torneios da FIFA será um dos principais tópicos de discussão.
Com as tensões a aumentar, a situação poderá levar a um impacto significativo na dinâmica do futebol internacional, especialmente se a UEFA decidir avançar com medidas drásticas. A forma como a FIFA responderá a estas críticas e a pressão crescente das confederações poderá determinar o futuro das competições globais e a sua relação com as federações continentais.
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