Gianni Infantino, presidente da FIFA, está a enfrentar uma forte reação de associações nacionais e jogadores, tendo elaborado uma apresentação confidencial que visa garantir o financiamento para a venda de participações do Mundial até outubro. A proposta de criar uma empresa subsidiária, a FIFA Forward Enterprise, foi anunciada publicamente a 28 de julho, com uma avaliação imediata de 20 mil milhões de dólares. Esta empresa controlaria os interesses comerciais das competições mais importantes da FIFA, incluindo o Mundial e a Taça do Mundo de Clubes, com a intenção de atrair investidores para adquirir cerca de 20% destas ações por 4,2 mil milhões de dólares, quantia que será distribuída entre as associações membros da FIFA.
Infantino espera que todo o financiamento esteja assegurado até ao final de outubro, apenas três meses após as associações terem tomado conhecimento da proposta através da comunicação social, que a considerou pouco detalhada. Para agilizar o processo, o presidente da FIFA colocou um prazo de 19 de setembro para que todas as associações se inscrevessem no esquema, recebendo rapidamente 40 milhões de dólares, ou rejeitando essa receita transformadora.
A apresentação confidencial revela também as intenções da FIFA em garantir que pode pagar 86 milhões de dólares a cada uma das 211 associações membros nos próximos doze anos. Há previsões de que uma massiva expansão de torneios será a primeira medida a ser adotada, reforçada pela referência ao termo “melhoria da competição” nos documentos. Fala-se já de um Mundial masculino com 64 equipas em 2030, enquanto a Taça do Mundo de Clubes, com 32 equipas, suscita debates sobre a necessidade de crescimento.
A FIFA garante que os investidores privados, com destaque para a Thrive Eternal, uma empresa de capital de risco liderada por Joshua Kushner, irmão do genro do ex-presidente dos EUA Donald Trump, não terão uma participação dominante nas operações, mas sim oferecerão a sua “experiência”. Infantino descreveu esta “otimização comercial” como um caminho para desbloquear a próxima era de crescimento.
Entretanto, a FIFPRO Europe, a organização que representa os jogadores profissionais, expressou a sua oposição à proposta, afirmando que “não pode – e nunca apoiará – tal modelo”. A principal preocupação é o bem-estar dos jogadores, especialmente face à possibilidade de que os futuros Mundiais e torneios internacionais se tornem mais frequentes, com a sugestão de competições bienais. Os jogadores já se sentem sobrecarregados com o atual calendário de jogos.
Além do impacto que estas mudanças podem ter, a FIFPRO destacou a falta de comunicação em relação a um projeto de tal magnitude, que se desenvolveu em grande parte à porta fechada. A UEFA, por sua vez, manifestou a sua insatisfação e convocou uma reunião virtual para decidir os passos seguintes, refletindo a crescente tensão entre as entidades do futebol e as direções da FIFA.
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