A UEFA decidiu que irá boicotar os Mundiais se a FIFA avançar com os seus planos de vender participações nas competições a investidores privados, uma medida que já desencadeou reações fortes no mundo do futebol. A decisão foi tomada após uma reunião de emergência entre as 55 associações membros da UEFA, onde se discutiram as propostas controversas apresentadas pelo presidente da FIFA, Gianni Infantino.
O Concacaf, organismo que gere o futebol na América do Norte e Central e que acolheu o Mundial deste ano, também se manifestou contra as intenções da FIFA, afirmando que as suas 41 associações membros “rejeitaram” a proposta. Há rumores de que as nações do Concacaf estão a perder a confiança em Infantino, o que intensifica a crise em torno das suas propostas.
A UEFA já tinha deixado claro o seu descontentamento através de duas declarações contundentes, reafirmando a sua posição na última reunião. “O Mundial não pode ser tratado como um produto de investimento. É um dos maiores legados desportivos do futebol, construído ao longo de gerações por jogadores, seleções nacionais e adeptos em todos os continentes. Nenhuma parte dele deve ser entregue a investidores privados. O Mundial não está à venda”, declarou a UEFA. Este boicote abrangerá todas as competições da FIFA, incluindo os Mundiais masculino e feminino, e seria ativado caso as propostas de Infantino sejam aprovadas pelas associações membros da FIFA.
A primeira vez que esta posição será testada num torneio sénior será em outubro, durante os play-offs do Mundial feminino. Durante a reunião da UEFA, a presidente da FA, Debbie Hewitt, e o CEO Mark Bullingham expressaram a sua indignação, descreveram o ambiente como “venenoso” devido à forte oposição às propostas. Curiosamente, mesmo sendo uma das oito vice-presidentes da FIFA, Hewitt não estava ciente das discussões que Infantino mantinha sobre estas propostas.
Infantino pretende criar uma subsidiária comercial para gerir os principais eventos da FIFA, incluindo os Mundiais, permitindo que investidores externos adquiram participações. A FIFA já comunicou que convidará terceiros a fazer investimentos minoritários e não controladores na nova subsidiária, denominada Fifa Forward Enterprise (FFE). Para que a proposta seja aprovada, Infantino necessita do apoio de 106 dos 211 membros da FIFA, e a combinação de membros da UEFA e do Concacaf, que totaliza 96 associações, parece disposta a votar contra.
Além disso, Infantino ofereceu aos membros da FIFA 40 milhões de dólares caso apoiem a sua proposta, estabelecendo um prazo de 19 de setembro para que as federações aceitem os seus planos para aceder a um montante inicial de 20 milhões de dólares. O presidente da FIFA defendeu as suas intenções, afirmando que se trata de “uma oferta, não uma obrigação”. Se a proposta for aprovada, a FIFA indicou que a Thrive Eternal, uma firma de capital de risco americana, deverá liderar o grupo de investidores proposto para a FFE.
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