A FIFA parece ter cometido mais um erro monumental, à medida que um suposto memorando vazado revela planos para expandir o próximo Mundial para 64 selecções. A credibilidade da entidade máxima do futebol tem vindo a ser severamente afectada nos últimos meses, após uma série de incidentes de má publicidade. Com a possibilidade de um boicote ao Mundial a ganhar força, as vozes de descontentamento estão cada vez mais audíveis.
Recentemente, surgiram críticas à proposta do presidente Gianni Infantino de vender participações no Mundial a investidores privados, desencadeando uma onda de reações negativas. Em apenas 24 horas, as confederações UEFA, CONCACAF e a AFC manifestaram a sua oposição ao plano de Infantino, ameaçando boicotar torneios futuros da FIFA. A proposta da FIFA, que necessitaria do apoio de 106 dos seus 211 membros, enfrenta agora uma resistência significativa, uma vez que as confederações europeia, norte-americana e asiática detêm 136 votos combinados. Se decidirem votar contra, o plano de Infantino poderá ficar irremediavelmente comprometido.
O jornalista Martyn Ziegler, do The Times, que divulgou inicialmente a controversa proposta, partilhou um excerto de um memorando de pesquisa da FIFA sobre a potencial expansão do Mundial de 48 para 64 equipas. O documento, datado de quinta-feira, indica que “a FIFA está a considerar as implicações estratégicas de uma possível expansão do Mundial além do formato atual.” Para isso, a entidade pretende nomear uma agência independente que avalie como esta expansão poderia impactar o torneio e o ecossistema do futebol, com uma decisão esperada até 14 de agosto de 2026.
Entretanto, a situação complicou-se ainda mais com a resignação de um conselheiro sénior de Infantino, Carlos Cordeiro, poucas horas após a AFC ter contestado a proposta. Cordeiro classificou a ideia como um “mau negócio para o futebol” e advertiu que poderia “hipotecar o futuro do desporto”. Na sua declaração, referiu que “a proposta tornou-se uma questão definidora para o futuro da FIFA”, sublinhando que a responsabilidade da entidade não é maximizar retornos comerciais a qualquer custo, mas sim proteger e fortalecer o futebol para as gerações futuras.
Com questões fundamentais ainda sem resposta, como a razão para este negócio e a sua urgência, Cordeiro expressou preocupações sobre a falta de supervisão e quem realmente beneficia com estas decisões. O tempo está a esgotar-se, com as associações-membro a serem pressionadas a tomar decisões de enorme importância em menos de 50 dias, criando um clima de incerteza e descontentamento que poderá moldar o futuro do futebol mundial.
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