A FIFA decidiu avançar com o seu polémico plano de abertura ao investimento privado, desafiando a forte oposição de diversas confederações continentais, incluindo a UEFA. A confirmação da continuidade deste projeto foi feita após uma apresentação que provocou reações adversas, evidenciando a divisão dentro do futebol mundial.
O organismo que rege o futebol global sublinhou que, apesar das críticas, manterá um processo de consulta “aberto e democrático” para que cada federação-membro possa expressar a sua opinião. A controvérsia emergiu quando a FIFA revelou os detalhes do plano, o que levou a UEFA a ameaçar não participar em futuras competições da FIFA, incluindo o Mundial, caso a proposta não fosse abandonada. A UEFA criticou a forma como a proposta foi elaborada “em segredo”, afirmando que as futuras decisões poderiam colocar os interesses dos acionistas acima dos interesses do próprio futebol.
A oposição à proposta não se restringe apenas à UEFA. A CONCACAF, que representa 41 federações da América do Norte, Central e Caraíbas, também manifestou o seu descontentamento. A Confederação Asiática de Futebol (AFC) juntou-se ao coro de críticas, afirmando que a proposta “não pode, realisticamente, alcançar o amplo consenso e a unidade necessários para avançar”. A AFC ainda destacou que qualquer proposta que ameace a unidade e a universalidade do Mundial deve ser cuidadosamente reconsiderada.
Por outro lado, a Confederação Africana de Futebol (CAF) adotou uma posição mais neutra, pedindo apenas que os seus membros analisassem a proposta antes de tomarem qualquer decisão. Em resposta às acusações do presidente da UEFA, Aleksander Ceferin, a FIFA foi clara: “Ninguém está a vender futebol. Isto é algo que a FIFA nunca consideraria”, reafirmando o seu compromisso em atender as preocupações expressas.
O plano em questão, que inclui a criação da FIFA Forward Enterprise (FFE), visa gerir as atividades comerciais e eventos da FIFA, como os Mundiais masculino e feminino e o Mundial de Clubes. A FIFA espera arrecadar até 4,2 mil milhões de dólares, o que equivale a cerca de 3,66 mil milhões de euros, baseando-se numa avaliação total de 20 mil milhões de dólares. Se o projeto for implementado, a dotação para cada uma das 211 federações-membro poderá aumentar de 8 para 20 milhões de dólares entre 2027 e 2030, um aumento significativo que poderá ter repercussões profundas no financiamento do futebol mundial.
Com a resistência crescente de várias confederações, a FIFA enfrenta um desafio considerável na implementação do seu plano. Resta saber como reagirão as federações a esta continuidade e se conseguirão encontrar um terreno comum que satisfaça todas as partes envolvidas.
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