Carlos Cordeiro demite-se na FIFA por polémica com investidores privados

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Carlos Cordeiro, um dos conselheiros do presidente da FIFA, Gianni Infantino, apresentou a sua demissão imediata, marcando o início de uma crise significativa na organização. O motivo? A proposta controversa de criar uma empresa comercial que permitiria a entrada de investidores privados na FIFA. A decisão de Cordeiro, que tem ascendência portuguesa, é um reflexo da crescente oposição interna à iniciativa desde que foi anunciada.

A proposta em questão envolve a criação da FIFA Forward Enterprise (FFE), uma nova entidade que ficaria responsável pela gestão de todas as atividades comerciais e de eventos da FIFA, incluindo os Mundiais masculino e feminino, assim como o Mundial de Clubes. A FIFA assegurou que os investidores privados teriam apenas uma participação minoritária, mas a ideia gerou um alvoroço. A organização estima que a iniciativa poderia trazer até 4,2 mil milhões de dólares (cerca de 3,66 mil milhões de euros), com uma avaliação total de 20 mil milhões de dólares (17,4 mil milhões de euros). Essa quantia poderia permitir um aumento significativo nos fundos destinados às 211 federações-membro, passando dos atuais 8 milhões de dólares (7 milhões de euros) para 20 milhões de dólares (17,4 milhões de euros) no ciclo de 2027 a 2030.

Cordeiro foi claro na sua posição contrária à proposta, afirmando na rede social LinkedIn: “Deixem-me ser claro: não tive qualquer participação nesta proposta e oponho-me categoricamente a ela. É má para as federações-membro da FIFA, má para o futebol e má para o futuro do desporto a longo prazo.” Esta declaração sublinha a gravidade da situação, não só para a FIFA, mas também para o desporto em geral.

A resistência à proposta tem vindo de diversas frentes, com a UEFA, que representa 55 federações europeias, a ameaçar um boicote às competições da FIFA, incluindo o Mundial, caso o plano prossiga. A CONCACAF, que agrega 41 federações da América do Norte, Central e Caraíbas, também se opôs à ideia. Em contrapartida, a Confederação Africana de Futebol (CAF) adotou uma posição menos crítica, incentivando os seus membros a considerar a proposta com cuidado.

Carlos Cordeiro, que foi um dos líderes mais proeminentes no futebol e trabalhou na FIFA durante mais de cinco anos, agora deixa um vácuo significativo. Ele também desempenhou funções na ‘task force’ da Casa Branca para os preparativos do Mundial de Clubes de 2025 e do Mundial de 2026, tendo sido nomeado para esse cargo por Donald Trump. A sua saída poderá ter repercussões profundas nas dinâmicas internas da FIFA e no futuro das suas propostas comerciais. Com a oposição a crescer e a pressão a aumentar, o futuro da FIFA Forward Enterprise permanece incerto.


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