Enzo Maresca está a deixar a sua marca no Manchester City, numa fase que poderia ser vista como uma transição difícil após a saída de Pep Guardiola, que passou uma década a moldar a equipa. A abordagem de Maresca sugere uma continuidade na filosofia do seu mentor, mas já é possível notar o surgimento do seu próprio estilo nos jogos de pré-época da formação inglesa.
Para compreender a estratégia de Maresca, é essencial ter em mente os princípios que guiaram Guardiola. Embora muitos o vejam como alguém que se apega a uma única abordagem, Guardiola sempre foi dinâmico na sua forma de jogar, mantendo a posse de bola como uma prioridade e baseando o seu jogo no posicionamento dos jogadores. Domenec Torrent, antigo assistente de Guardiola, definiu o jogo posicional como “a forma como te posicionas em relação aos outros no campo quando tens a bola, e onde deves estar para continuar a pressionar quando a perdes”. Esta filosofia inclui também a defesa de descanso, com jogadores posicionados estrategicamente para defender contra ataques rápidos.
Na estreia de Maresca, o City registou 64% de posse de bola num jogo contra o Inter de Milão, demonstrando que a nova abordagem mantém os princípios de Guardiola. No entanto, Maresca introduziu uma nova formação, o 3-2-2-3, que já havia utilizado no Chelsea. Esta estrutura permite que três defesas mantenham a posse e cubram a largura do campo, enquanto dois médios apoiam o ataque e a defesa em transições rápidas.
Uma inovação importante no sistema de Maresca é o uso de extremos que permanecem abertos e altos, resistindo à tentação de recuar. Nico Gonzalez, após um intenso jogo contra os All-Stars da K-League, afirmou: “Acho que a ideia é clara. Tentamos chegar aos extremos. Temos muita qualidade nos extremos.” Esta estratégia contrasta com a forma como Guardiola usou os extremos mais centralizados na sua última temporada, retornando a um estilo que remete para o tempo de Raheem Sterling e Leroy Sané em 2017.
Marti Perarnau, amigo de Guardiola e jornalista, recorda as dificuldades que o treinador enfrentou para convencer os extremos a manterem-se abertos, uma abordagem que Maresca parece estar a revitalizar. Guardiola descreveu o processo como “difícil”, enfatizando a importância da paciência e do posicionamento adequado. Com Maresca no comando, os adeptos do City podem esperar um futebol que mescla o legado de Guardiola com toques inovadores que prometem trazer nova vida à equipa. A evolução do City sob Maresca será, sem dúvida, um tema a seguir nas próximas semanas.
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