A transformação que o Paris Saint-Germain (PSG) sofreu no mercado de transferências nos últimos nove anos é notável. Se em 2017 o clube francês abalou o futebol europeu ao contratar Neymar por 222 milhões de euros, esta temporada o cenário inverteu-se, com o PSG a tornar-se o maior vendedor da Europa e a estabelecer novos recordes de receitas.
Na janela de transferências de 2026, o PSG conseguiu gerar 400,4 milhões de euros em receitas, superando Aston Villa e Manchester City, que arrecadaram 360 milhões e 336 milhões de euros, respetivamente. Este feito marca um ponto de viragem, uma vez que nunca antes uma única equipa havia ultrapassado a barreira dos 400 milhões de euros em receitas de transferências numa só janela. Para se ter uma ideia, apenas três clubes haviam superado os 300 milhões de euros anteriormente.
A estratégia do PSG, agora orientada pela dupla Luis Campos e Luis Enrique sob a liderança de Nasser Al-Khelaifi, reflete uma mudança significativa na forma como o clube gere o seu plantel. Nos últimos cinco anos, o PSG arrecadou 815 milhões de euros com vendas, posicionando-se atrás apenas de Chelsea e Manchester City. Este modelo não só demonstra a capacidade do clube em atrair e desenvolver talentos, como também em capitalizar sobre esses ativos de forma eficaz.
O clube francês não hesitou em tomar decisões difíceis, como a saída de Gianluigi Donnarumma, que foi criticada à época, mas que acabou por contribuir para a conquista da Liga dos Campeões. Além disso, a abordagem mais paciente no mercado, como esperar seis meses para contratar Khvicha Kvaratskhelia a um preço reduzido, ilustra uma nova mentalidade na gestão desportiva do PSG.
Os números falam por si: Bradley Barcola foi vendido ao Liverpool por 145 milhões de euros, após ter sido adquirido por 45 milhões, enquanto Ibrahim Mbaye, produto da academia, deixou o clube por 60 milhões. A venda de Gonçalo Ramos para o AC Milan rendeu 75 milhões, mais 15 milhões em bónus, evidenciando a astúcia nas operações de mercado.
A direcção do PSG orgulha-se de ter realizado “a maior janela de transferências para suplentes da história”, um testemunho do trabalho colectivo de Al-Khelaifi, Campos e Enrique. A combinação de sucesso desportivo com a geração de receitas de transferências, antes vista como incompatível, parece agora um novo normal em Paris. A estabilidade na liderança do clube tem sido crucial, permitindo ao PSG não só construir um plantel competitivo, mas também aumentar o valor dos seus jogadores. Com Al-Khelaifi a desempenhar um papel central em várias das negociações desta janela, o futuro do PSG parece cada vez mais promissor.
Discover more from Apito Final
Subscribe to get the latest posts sent to your email.
