No mundo competitivo do golfe, ser rotulado de “muito simpático” pode ser tanto uma bênção quanto uma maldição. Tommy Fleetwood, um dos atletas mais admirados do circuito, decidiu abordar essa questão antes de iniciar o aguardado torneio de Pebble Beach em 2026. O que parece ser uma simples descrição de personalidade, na verdade, carrega um peso significativo quando se trata de vencer em um esporte que exige uma mentalidade feroz.
“Espero que o mesmo número de pessoas que gostava de mim antes ainda goste de mim agora. Não sei bem de onde vem esse estigma de ser 'muito simpático' para vencer. Os 'caras legais' também podem ganhar, claro. Sempre me orgulhei de ser uma boa pessoa, um cara simpático, mas também amo jogar golfe e competir,” disse Fleetwood, em uma resposta que ressoou junto dos fãs que o apelidaram de 'Fairway Jesus'. Ele não se comprometeu a se tornar mais agressivo; ao invés disso, afirmou que se tornou um competidor melhor, refletindo sobre o que fez certo e errado ao longo de sua carreira. “Espero que Rory ainda ache que sou um cara legal,” acrescentou, com um toque de humor.
As palavras de Fleetwood são especialmente relevantes, considerando as preocupações expressas por Rory McIlroy durante a temporada de 2025. Em uma conversa com o The Scotsman enquanto estava em Dubai, McIlroy revelou suas dúvidas sobre a determinação de Fleetwood. “Nunca diria que questionei o quanto ele queria isso. Mas ele sempre foi tão simpático… tão simpático! Então, fico pensando: ‘Ele é simpático demais?’ Porque é preciso ter aquele pequeno toque de ousadia, ou como quiser chamar. Eu sei que tenho isso, e sinto que é o que você precisa para vencer.”
McIlroy insinuou que a profunda empatia de Fleetwood poderia estar a dificultar a descoberta desse instinto vencedor. Contudo, não tardou a reconhecer que Fleetwood havia finalmente desenvolvido aquela “pequena ousadia”. Outros especialistas, como Wayne Riley, também levantaram questões sobre a força mental do inglês, afirmando que ele tinha um dos melhores swings do circuito, mas que precisava de uma nova direção.
No entanto, a vitória de Fleetwood na FedEx Cup em agosto de 2025 e o triunfo no DPWIC na Índia, com uma impressionante última volta de 65, serviram para calar as vozes críticas, demonstrando que os caras legais também podem terminar em primeiro lugar. Este sucesso conclusivo encerrou a discussão sobre a sua capacidade de finalizar torneios.
Apesar das advertências públicas, a amizade entre McIlroy e Fleetwood permanece inabalável. A parceria deles tornou-se lendária durante a Ryder Cup de 2025, onde desmantelaram seus rivais americanos, Collin Morikawa e Harris English, com uma vitória de 5&4, estabelecendo um tom vencedor para a equipe. Um momento memorável foi quando McIlroy foi flagrado olhando para Fleetwood com um olhar de pura adoração, evidenciando a química que possuem em campo, com um impressionante registro de 3-0-0 na Ryder Cup.
A rivalidade entre eles, por sua vez, torna-se ainda mais intrigante quando se enfrentam. Na edição de 2024 do Dubai Invitational, Fleetwood superou McIlroy com um finish impressionante de birdie-birdie, e o irlandês foi o primeiro a parabenizá-lo, com um sorriso e um apertar de mãos genuíno.
O vínculo entre McIlroy e Fleetwood vai muito além do golfe. A humorada interação entre eles é um dos fatores que fortalece a amizade. Durante uma entrevista, McIlroy e Shane Lowry riram ao ver o filho de Fleetwood, Frankie, que se mostrou mais à vontade com a mídia do que muitos profissionais. O momento em que a filha de McIlroy, Poppy, foi flagrada torcendo por Tommy em vez do pai durante o Scottish Open, trouxe sorrisos a todos.
Além disso, McIlroy adora passar tempo com o jovem Frankie, oferecendo-lhe lições de putting durante a semana da Ryder Cup em Bethpage Black Course, em Nova Iorque. Esses pequenos gestos demonstram que a relação entre eles é baseada em laços que vão muito além das competições e estatísticas.
A trajetória de Tommy Fleetwood e sua amizade com Rory McIlroy nos mostram que, no golfe, como na vida, ser “muito simpático” não é um impedimento, mas sim uma parte vital do que significa ser um verdadeiro campeão.
