Domingo, Fevereiro 15, 2026

Sir Jim Ratcliffe pede desculpa por polémica afirmação sobre colonização

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Sir Jim Ratcliffe, o polémico investidor minoritário do Manchester United, está no centro de uma tempestade mediática após fazer comentários incendiários sobre imigração no Reino Unido, levando a uma reprimenda pública do primeiro-ministro britânico, Sir Keir Starmer. O que era para ser uma discussão sobre políticas económicas transformou-se numa verdadeira batalha de palavras que tem repercutido em todo o país.

Ratcliffe, que também comanda as decisões desportivas do clube, provocou um clamor ao afirmar, em entrevista à Sky News, que “o Reino Unido foi colonizado” por imigrantes, levantando a questão do impacto económico de uma população crescente. “Não se pode ter uma economia com nove milhões de pessoas a receber benefícios e enormes níveis de imigração a entrar”, disse ele, referindo-se a um aumento populacional que, segundo ele, passou de 58 milhões em 2020 para 70 milhões atualmente. As suas declarações foram rapidamente rotuladas como “ofensivas e erradas” por Starmer, que sublinhou que a Grã-Bretanha é um país orgulhoso, tolerante e diverso, exigindo um pedido de desculpas.

Ratcliffe, reconhecendo a controvérsia gerada, emitiu uma declaração através da sua empresa global INEOS, onde lamentou que a sua escolha de palavras tenha ofendido algumas pessoas. “Lamento que a minha escolha de linguagem tenha ofendido algumas pessoas no Reino Unido e na Europa e causado preocupação, mas é importante levantar a questão de uma imigração controlada e bem gerida que apoie o crescimento económico”, afirmou ele. “A minha intenção era enfatizar que os governos devem gerir a migração em conjunto com investimentos em habilidades, indústria e empregos, para que a prosperidade a longo prazo seja compartilhada por todos.”

A repercussão não se fez esperar, com muitos ligados ao Manchester United a expressarem indignação pelas palavras do seu co-proprietário. O departamento jurídico da Associação Inglesa de Futebol já está a investigar se os comentários de Ratcliffe são discriminatórios ou se trouxeram o jogo para descrédito. O prefeito de Manchester, Andy Burnham, também não poupou críticas, afirmando que as declarações contradizem os valores tradicionais da cidade, onde pessoas de todas as raças e crenças se uniram ao longo dos séculos. “Retratar aqueles que vêm aqui como uma força invasora hostil é inexacto, insultuoso, inflamável e deve ser retirado”, escreveu Burnham nas redes sociais.

Enquanto muitos condenam as palavras de Ratcliffe, também há quem as defenda. Um porta-voz de Downing Street indicou que os comentários “jogam nas mãos de quem quer dividir o nosso país”, enquanto Nigel Farage, líder do partido reformista, saiu em defesa do empresário, afirmando que “Jim Ratcliffe está certo”. Ratcliffe, por seu lado, elogiou Farage, considerando-o um homem inteligente com boas intenções, mas também reconheceu que o país precisa de alguém disposto a ser impopular para resolver questões complicadas.

A controvérsia em torno de Sir Jim Ratcliffe não se limita apenas ao campo da política; ela toca diretamente no coração da identidade do Manchester United e do que representa para os seus adeptos. Com a tensão em crescendo, o futuro da relação entre Ratcliffe e o clube que já foi símbolo de diversidade e inclusão está, sem dúvida, em jogo.

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