As reações fervorosas em torno das recentes declarações de Sir Jim Ratcliffe, co-proprietário do Manchester United, estão a agitar as águas na icónica equipa de futebol. A sua afirmação de que o Reino Unido está “colonizado por imigrantes” não só provocou alarme entre os jogadores dos Red Devils, como também revelou um desconforto crescente com o que muitos consideram ser um profundo desfasamento entre a visão do proprietário e a realidade multicultural do clube.
Ratcliffe, de 73 anos, fez essas declarações polémicas durante uma entrevista incisiva, onde criticou o sistema de imigração e o Primeiro-Ministro Keir Starmer, alertando para os enormes problemas económicos que o país enfrentará à medida que a pressão sobre o estado de bem-estar social aumenta devido à chegada de estrangeiros. Essa postura provocou uma onda de críticas, e muitos jogadores do Manchester United expressaram a sua preocupação com a falta de sensibilidade do co-proprietário.
“Estamos alarmados”, disse uma fonte próxima ao plantel, sublinhando que as palavras de Ratcliffe não ressoam bem numa equipa que inclui 17 jogadores estrangeiros. A percepção entre os atletas é de que Ratcliffe está “desatualizado” e que os seus comentários refletem uma visão antiquada e divisiva. Na mesma linha, os jogadores notaram a hipocrisia implícita nas suas declarações, questionando se ele enfrentaria as mesmas consequências que um jogador que fizesse comentários semelhantes.
Após a onda de críticas, Ratcliffe emitiu uma “desculpa” que muitos consideraram superficial, provocando uma resposta mais robusta do próprio Manchester United. O clube lançou uma declaração cuidadosamente elaborada, que enfatizou o seu compromisso com a inclusão e diversidade. “O Manchester United orgulha-se de ser um clube inclusivo e acolhedor”, afirmaram, destacando a riqueza cultural da sua base de apoio e a diversidade que caracteriza a sua estrutura interna.
A declaração prosseguiu para enaltecer os esforços do clube em promover eventos e iniciativas que abordam questões de saúde mental, inclusão LGBTQ+, e a luta contra o racismo, reafirmando o seu compromisso com a campanha “All Red All Equal”. “Representamos a unidade e a resiliência de todas as comunidades que temos o privilégio de representar”, concluíram.
Entretanto, a controvérsia em torno das palavras de Ratcliffe não mostra sinais de abrandar. Os jogadores, que se sentem cada vez mais desconfortáveis com a falta de alinhamento entre a liderança do clube e os princípios que defendem, estão a questionar a verdadeira natureza do compromisso do proprietário. A diferença de tratamento entre as suas declarações e as repercussões que um jogador enfrentaria por comentários semelhantes lança uma sombra sobre a coerência da direção do clube.
Com a pressão a aumentar, a situação está a fazer eco não só em Old Trafford, mas também nas redes sociais e na opinião pública, onde adeptos de todas as partes estão a exigir maior responsabilidade e sensibilidade de quem está no comando de um dos clubes mais prestigiados do mundo. O que está em jogo vai além de palavras; trata-se da essência da identidade do Manchester United e do respeito que deve ser demonstrado a todos os seus membros, independentemente da sua origem.
