Um clima de indignação e repulsa pairou sobre o MKM Stadium durante o jogo da quarta ronda da FA Cup, onde o Hull City enfrentou o Chelsea. A presença de cânticos homofóbicos por parte de alguns adeptos não só manchou a reputação do desporto, como também resultou em várias detenções. Grupos de adeptos e autoridades do futebol não hesitaram em condenar estas atitudes, caracterizando-as como uma “mancha no nosso jogo”.
As autoridades do estádio foram rápidas a agir. Durante o primeiro tempo, um aviso sonoro alertou os presentes para que cessassem imediatamente os cânticos discriminatórios, salientando que a CCTV estava a ser monitorizada. Apesar de a quantidade de detenções não ter sido revelada pelo clube, uma atualização na segunda parte do jogo confirmou que medidas foram tomadas. Um aviso exibido no ecrã do estádio enfatizava: “Houve cânticos discriminatórios por parte dos adeptos dentro do estádio. Isto é inaceitável e deve cessar imediatamente.”
Na sequência deste incidente, o Hull City reiterou a sua posição, afirmando que “qualquer cântico de natureza homofóbica, racista ou discriminatória é totalmente inaceitável e não será tolerado”. A instituição deixou claro que qualquer adepto que se envolvesse neste tipo de comportamento enfrentaria sérias consequências, incluindo a expulsão imediata do estádio e a possibilidade de um mandado de proibição, além de potenciais acusações criminais.
A Chelsea Pride, o grupo oficial de adeptos LGBTQ+ do Chelsea, expressou a sua indignação com um comunicado contundente: “Esta noite, cânticos homofóbicos foram mais uma vez dirigidos aos nossos adeptos. Isto é absolutamente inaceitável. Reconhecemos que o Hull City fez anúncios no estádio, confirmou que a CCTV estava a ser monitorizada e que foram feitas detenções. A ação importa. A responsabilidade importa. As consequências importam. Mas deixem-nos ser claros, o fato de que este cântico ainda esteja a ser ouvido em 2026 é uma mancha no nosso jogo.”
Do lado desportivo, o Chelsea avançou para a quinta ronda da FA Cup com uma vitória convincente de 4-0 sobre o Hull City. O treinador dos blues, Liam Rosenior, revelou que não tinha conhecimento dos cânticos durante o jogo, pois estava completamente focado na partida. Contudo, não hesitou em criticar qualquer forma de linguagem discriminatória: “Qualquer linguagem discriminatória, de qualquer forma, sobre qualquer coisa é inaceitável, por isso espero que a situação seja tratada.”
O treinador do Hull City, Sergej Jakirovic, também se manifestou, afirmando de forma categórica: “Este não é um lugar para isto, de certeza, no estádio e também em público. Isto não é bom. O estádio não é um lugar para isso e é por isso que eles foram detidos.”
O desporto deve ser um espaço de inclusão e respeito, e a repetição de comportamentos discriminatórios apenas reforça a necessidade urgente de ação e mudança. A comunidade futebolística deve unir-se para garantir que todos os adeptos se sintam seguros e respeitados em todos os estádios.
