Domingo, Fevereiro 15, 2026

A verdade por trás da recuo do Real Madrid sobre a superliga falhada

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A recente reviravolta da Real Madrid no controverso projeto da Super Liga colocou a instituição no centro das atenções, suscitando debates acalorados sobre o verdadeiro impacto desta decisão. No coração deste embrolho, estava a reunião do Comité Executivo da UEFA, que, após uma espera de 20 minutos, revelou uma transformação inesperada no panorama do futebol europeu. O presidente Aleksander Ceferin e Nasser Al Khelaifi, presidente da European Football Clubs (EFC), entraram em cena, anunciando que a Real Madrid estava a regressar ao seio da EFC, anteriormente conhecida como Associação Europeia de Clubes. Para muitos, este movimento foi visto como uma rendição sem precedentes de Florentino Pérez, marcando o que muitos consideram a derrota final da Super Liga.

Al-Khelaifi, em uma afirmação audaciosa, declarou que quem acreditasse que Pérez “perdeu” era “estúpido e não sabe absolutamente nada sobre futebol”. Uma observação perspicaz que revela a complexidade da situação. A ideia de que Pérez tenha “perdido” só faz sentido se o projeto da Super Liga for visto como o único objetivo, mas a verdade é que ele representa apenas uma parte de uma luta mais ampla dos grandes clubes para controlar o jogo do futebol. Esta visão, segundo analistas, foi precisamente o que Pérez sempre almejou.

O que está a emergir deste cenário é uma nova dinâmica de poder no futebol europeu. A Real Madrid, ao retornar à EFC, alinha-se com uma estrutura que agora possui um papel sem precedentes na hierarquia do futebol, quase como uma terceira autoridade, ao lado da UEFA e da FIFA. A questão que se coloca é: por que razão a Real Madrid não voltaria ao redil? A saída do clube da Super Liga resultou numa relação fortalecida entre a UEFA e a nova ECA liderada por Al-Khelaifi, que culminou numa parceria onde ambas as entidades administram conjuntamente a Liga dos Campeões e as competições europeias através da nova empresa UC3.

No entanto, apesar da aparente unidade apresentada na recente cimeira da UEFA, as tensões permanecem subjacentes. Muitos stakeholders veem esta nova configuração como uma mera acomodação das dinâmicas de poder da Super Liga, em vez de uma verdadeira solução para os problemas que assolam o desporto. A crescente adesão à União dos Clubes Europeus e conversas nos bastidores durante o Congresso são reflexos dessa insatisfação.

Além disso, o novo formato da Liga dos Campeões é considerado por muitos como uma Super Liga institucionalizada, embora com algumas concessões ao restante do futebol. Embora alguns membros da EFC defendam o sucesso da nova Liga Europa Conferência, há uma preocupação crescente de que este sistema apenas solidifique a estratificação financeira, excluindo grandes partes do jogo.

A EFC também desempenhou um papel crucial na formação do novo Mundial de Clubes da FIFA, um projeto que levanta sérias preocupações para a UEFA, especialmente no que diz respeito à forma como o dinheiro dos prémios poderá desestabilizar o ecossistema do futebol. Embora a EFC tenha reivindicado uma compromisso de solidariedade de €250 milhões para clubes não participantes, muitos clubes ainda não viram um cêntimo desse montante, levando a um crescente descontentamento entre as entidades envolvidas.

Este enredo complexo do futebol europeu continua a evoluir, e a recente decisão da Real Madrid pode ser apenas o início de uma nova era de disputas e alianças, onde o controle e a influência dos clubes maiores estão em jogo. As repercussões desta manobra vão muito além do que parece à primeira vista.

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