Marrocos está a ser alvo de uma intensa controvérsia após ser acusado de preparar um plano macabro para eliminar milhões de cães vadios, na tentativa de “limpar” as ruas antes do início da Copa do Mundo de 2030. Com mais de três milhões de cães errantes em risco, grupos de direitos dos animais têm compilado fotografias e documentos que apontam para a execução de alguns desses animais, levantando preocupações globais.
O aclamado ator e ativista Mark Ruffalo, nomeado para um Óscar, não hesitou em expressar a sua indignação. “Matar milhões de cães para preparar um evento desportivo global não é progresso, é uma falha moral”, escreveu em uma publicação na plataforma X. Ruffalo enfatizou que “soluções humanas existem, e escolher a compaixão em vez da violência é uma responsabilidade que todos devemos partilhar”.
Em resposta a estas alegações alarmantes, a embaixada marroquina em Londres negou as acusações, garantindo que não há qualquer plano de abate de cães vadios e reafirmando o compromisso do país com uma gestão animal humana e sustentável. No entanto, a Coalizão Internacional de Bem-Estar e Proteção Animal (IAWPC) revela uma realidade sombria: cerca de 300.000 animais são mortos anualmente através de métodos cruéis, incluindo tiro e envenenamento, muito antes do anúncio de que Marrocos co-organizaria o torneio ao lado da Espanha e de Portugal.
A IAWPC alertou que, após a confirmação da Copa do Mundo, a exterminação de cães aumentou dramaticamente. “Como resultado, receamos que Marrocos leve avante o seu plano para o abate em massa de três milhões de cães”, declarou a organização em um relatório. Esta situação é ainda mais perturbadora à luz de uma proposta de lei apresentada em agosto, que prevê penas de prisão de dois a seis meses para quem “intencionalmente matar, torturar ou ferir um animal errante de qualquer forma”. Contudo, aqueles que forem apanhados a “acolher, alimentar ou tratar” animais também correm o risco de multas ou penas de prisão em caso de reincidência.
A crescente pressão da comunidade internacional e das organizações de direitos dos animais faz com que muitos se perguntem: até onde Marrocos irá para agradar à FIFA e aos interesses comerciais que cercam um evento tão grandioso? A tensão entre a proteção animal e as exigências de um torneio mundial de futebol nunca foi tão evidente, e a sociedade civil exige respostas. O mundo observa com atenção e expectativa como esta questão se desenrolará nos meses que antecedem um dos eventos desportivos mais importantes do planeta.
