Arne slot aceita rótulo de vilão enquanto Salah se despede

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Arne Slot assume o papel de vilão na saída de Mohamed Salah do Liverpool: a última oportunidade de redenção na FA Cup

A bomba caiu há dez dias: Mohamed Salah anunciou que vai deixar o Liverpool. Quatro meses antes, numa entrevista explosiva, o egípcio afirmava não ter qualquer relação com o treinador Arne Slot. Agora, o técnico holandês quebra o silêncio e não mostra arrependimentos sobre a forma como geriu esta crise que abalou Anfield.

“Sim,” afirmou Slot com firmeza, “ao olhar para esta época, reconheço que tomei decisões que poderiam ter sido melhores, mas não me refiro a esta situação específica com o Mo.” A declaração revela a convicção do treinador em manter a estratégia que, na sua perspetiva, esteve correta face ao contexto.

Slot não poupou elogios a Salah, reconhecendo-o como “uma lenda” e o terceiro melhor marcador na história do Liverpool. Contudo, consciente da controvérsia, admite o papel que lhe foi atribuído: “Neste momento, sou mesmo o vilão desta história, o treinador que pôs fim ao reinado do rei egípcio em Anfield.” O sorriso irónico com que Slot assume este rótulo demonstra a sua capacidade de encarar a polémica de frente.

O futuro próximo poderá ser decisivo para a imagem de ambos. Com os quartos-de-final da Liga dos Campeões e da FA Cup à espreita, Salah poderá despedir-se em grande, especialmente se estiver recuperado para o embate contra o Manchester City este sábado. Ou poderá terminar a carreira no Liverpool de forma anticlimática, numa época marcada pela tensão e polémica.

Slot relembra a derrota pesada no Etihad, onde o Liverpool perdeu 3-0, e como esse jogo contribuiu para a tensão com Salah. Sem mencionar o nome do extremo, o treinador destacou que o lateral-direito Conor Bradley ficou muitas vezes isolado contra adversários como Jeremy Doku e Nico O’Reilly, insinuando que a equipa não funcionou bem colectivamente. Pouco depois, Salah foi afastado da equipa, ficando no banco em três jogos consecutivos, situação que despoletou a famosa explosão do jogador em Elland Road — um episódio que ainda pesa na decisão final do egípcio.

Desde então, Salah tem sido titular em 12 dos 13 jogos em que esteve disponível após o regresso da Taça das Nações Africanas, cenário que Slot usa para relativizar a ideia de um afastamento definitivo. “Só o Mo pode falar sobre isso,” disse o técnico. “É injusto assumir que ele quer sair por causa desses dias fora. Incidentes como esse acontecem todos os dias no futebol mundial. Depois disso, ele foi à Taça das Nações e, quando voltou, jogou quase todos os jogos.”

Esta aparente reconciliação foi fruto de negociações tensas. Salah foi excluído da viagem a Itália para o jogo contra o Inter de Milão e só voltou à equipa após conversas durante o torneio africano. Apesar de Slot manter-se reservado, a decisão do jogador de sair do clube, com um ano de contrato ainda por cumprir e sem que o Liverpool exija uma taxa de transferência, é clara. “O Mo tem todo o direito de decidir quando acha que deve partir,” declarou Slot.

O treinador espera que haja uma explicação pública, mas que esta venha do próprio Salah: “Quando estas decisões são tornadas públicas, não surpreende que haja muitas conversas entre ele, o seu agente, o clube, eu e o próprio antes disso. Ficaria surpreso se não houver um momento em que o Mo partilhe as suas razões. Isso não cabe a mim; cabe-lhe a ele.”

A saída de Mohamed Salah poderá marcar o fim de uma era gloriosa em Liverpool, mas também deixa uma porta aberta para uma despedida digna através da conquista da FA Cup e do sucesso na Champions League. Arne Slot está pronto para enfrentar o papel ingrato que lhe coube — será que esta será a última mancha ou o começo de uma redenção inesperada? O tempo e os próximos jogos irão revelar.

Este artigo aparece primeiro em Apito Final.

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