A recente exibição do Arsenal no empate 2-2 com o Wolves levantou questões inquietantes sobre o futuro da equipa, levando a comparações com um capítulo sombrio da sua história. Os Gunners, que se encontravam em posição de liderança na Premier League, deram um passo atrás que fez ecoar memórias de um ano que já se tornou um pesadelo para os adeptos.
Em 2008, sob a direção de Arsène Wenger, o Arsenal dominava a liga após 26 jogos, somando impressionantes 63 pontos e uma vantagem de cinco pontos sobre o Manchester United. Este cenário parecia uma repetição perfeita, pois a 27ª jornada levou a equipa a uma visita ao Midlands Ocidental, enfrentando um Birmingham City que lutava pela sobrevivência na liga. O que se seguiu foi um desastre que muitos ainda recordam: uma lesão grave do avançado Eduardo e um golo do Birmingham, marcado por James McFadden, transformaram a partida num pesadelo. Mesmo quando o jovem Theo Walcott parecia ter dado a vitória aos Gunners com um golo que os colocava à frente, a história estava longe de acabar. Um penalti, concedido por Gael Clichy nos últimos momentos, permitiu que McFadden empatasse a contenda no último minuto, deixando o Arsenal a sentir o peso da desilusão.
As semelhanças entre aquele fatídico jogo e o recente empate com o Wolves são inegáveis. O defesa William Gallas, em um momento de pura incredulidade, sentou-se no relvado, capturando a essência da frustração da equipa. Na quarta-feira, a cena foi menos dramática, mas ainda assim, Gabriel Jesus empurrou Yerson Mosquera, refletindo a confusão e desânimo que pairava entre os jogadores do Arsenal ao apito final.
Com o empate, a liderança da equipa na tabela foi reduzida a três pontos, e com o Manchester City a ganhar terreno, a pressão aumenta. A história de 2008 revela que depois daquela partida, o Arsenal apenas conseguiu uma vitória em sete jogos, caindo para o terceiro lugar, a nove pontos dos líderes. A repetição de tal cenário seria devastadora para os adeptos, que esperam ansiosamente que a actual equipa consiga evitar os mesmos erros.
Os Gunners têm agora uma oportunidade crucial para inverter o rumo na próxima jornada, com um derby do norte de Londres à vista, seguido por um confronto em casa contra o Chelsea. Mas o verdadeiro teste virá no dia 18 de abril, quando visitarem o Etihad para enfrentar o Manchester City numa partida que poderá ser decisiva na corrida pelo título.
Com apenas duas vitórias nos últimos sete jogos e os fantasmas de 2008 a pairar sobre eles, o Arsenal encontra-se à beira de repetir uma narrativa que muitos prefeririam esquecer. No entanto, com a possibilidade de conquistar o título da Premier League pela primeira vez em 22 anos, o futuro ainda está por escrever. Os jogadores têm agora a chance de enterrar o passado e reescrever a sua história, provando que são capazes de superar as expectativas e conquistar a glória que tanto almejam.
