Chelsea pode relançar a carreira de Cole Palmer em grande estilo

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A turbulência na carreira de Cole Palmer tem gerado preocupações entre adeptos e especialistas, uma vez que o jovem talento do Chelsea parece estar a atravessar uma fase menos inspirada. Nomeado o oitavo melhor jogador do mundo na cerimónia do Ballon d'Or em setembro, Palmer, de 23 anos, é ainda considerado como “intocável” dentro do clube londrino. O antigo treinador Enzo Maresca chegou a descrevê-lo como o “melhor jogador” da equipa, enquanto o seu sucessor, Liam Rosenior, teve várias reuniões com o avançado desde que assumiu o comando da equipa. Contudo, mesmo o próprio Palmer reconhece que não está a apresentar o seu melhor nível, uma situação que tem várias explicações.

Em declarações impactantes, o CEO da Professional Footballers' Association, Maheta Molango, abordou o que considera ser um esgotamento do jogador. “Quando olho para alguém como Cole Palmer, são já três verões consecutivos sem pausa,” afirmou Molango durante o Financial Times Business of Football Summit. “As pessoas dizem que ele é um milionário – sim, ele é. Mas isso não lhe dá um pulmão ou uma perna extra. Quero ver Cole Palmer em campo porque ele é quem me faz sonhar.”

Esta falta de descanso resulta em um número impressionante de 112 partidas disputadas entre clube e seleção nos últimos três anos, incluindo competições exigentes como a Copa do Mundo de Clubes e o Campeonato Europeu sub-21. O aumento das exigências sobre Palmer não passou despercebido, e a sua condição física começou a deteriorar-se, culminando numa dor persistente na região da virilha no final da última temporada.

Mesmo após um período de mais de seis semanas fora de ação, o jogador ainda não se encontra totalmente recuperado, com a equipa médica do Chelsea a monitorizar a sua condição de perto. Após a derrota por 2-1 contra o Arsenal, Rosenior foi questionado sobre a atuação de Palmer e a decisão de o retirar do jogo. “Ele jogou 83 minutos. Isso foi tático. Quando o tirei, ele e Enzo [Fernandez] estavam ambos com cartões amarelos e quis que Garna [Alejandro Garnacho] e Liam [Delap] entrassem para trazer frescura, que senti que conseguiram. Ele está absolutamente bem para começar o jogo contra o Aston Villa na quarta-feira.”

No entanto, a decisão de retirar Palmer enquanto a equipa tentava igualar o marcador surpreendeu alguns, tendo em conta que ele costuma ser responsável por muitos dos golos e da criatividade da equipa. Mas, olhando para os dados, a opção de Rosenior parece justificar-se. Desde que voltou da lesão, Palmer contabiliza sete golos e três assistências em 16 partidas, mas quatro desses golos foram de penalti. Notavelmente, 40% dos golos de Palmer na Premier League são penáltis, um número que o coloca entre os jogadores com a maior proporção de penalidades convertidas na história da liga.

Desde a sua estreia pelo Chelsea até ao encontro com o Bournemouth em janeiro de 2025, Palmer marcou 36 golos na liga (33% deles de penalti) e fez 17 assistências em 54 jogos. No entanto, desde então, os números caíram drasticamente: apenas nove golos (66% de penaltis) e três assistências em 33 partidas. Além disso, o jogador tem feito menos remates, criado menos oportunidades e registado números mais baixos em termos de expected goals e expected assists.

Curiosamente, o Chelsea tem demonstrado que consegue competir sem ele. Sem Palmer, a equipa venceu 73% dos jogos esta temporada, comparado com apenas 24% quando ele está em campo. A média de pontos por jogo sem ele é de 2.27, em contraste com 1.18 quando ele joga, e a equipa melhorou de 1.5 para 2.2 golos por jogo na sua ausência. Estes números são intrigantes, especialmente considerando as exibições decisivas de Palmer na final da Conference League contra o Real Betis e a vitória na Copa do Mundo de Clubes.

Com o futuro de Palmer em aberto, a grande questão que se coloca é: conseguirá Chelsea recuperar a forma do seu jovem prodígio e impulsionar a sua carreira, ou estará a pressão a afetar de forma irreversível o seu desempenho? A resposta poderá muito bem determinar não apenas o seu futuro, mas também o sucesso da equipa na temporada em curso.

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