O Manchester United, um dos clubes mais emblemáticos do futebol mundial, está a viver um momento de incerteza em torno da sua estratégia de renovações contratuais. Com a forma impressionante de Casemiro, surgem apelos para que o veterano do meio-campo seja atado a um novo contrato que prolongue a sua estadia além desta temporada. No entanto, essa pode ser uma má decisão que reflete a tendência do clube para cometer erros monumentais em contratações e renovações.
As lições do passado são claras e dolorosas. Em vez de garantir a continuidade de um jogador de classe mundial como Casemiro, o United tem um histórico de decisões desastrosas quando se trata de renovar contratos. Exemplos notáveis incluem os contratos mal calculados de jogadores como David De Gea e Marcus Rashford. A seguir, exploramos cinco casos emblemáticos que evidenciam este problema crónico.
**Anthony Martial**: Durante o seu último verão à frente do clube, José Mourinho queria despachar Martial, que não estava a encaixar no seu plano. No entanto, o francês tinha amigos influentes. Joel Glazer, um dos proprietários, era fã do jogador, e os responsáveis financeiros decidiram que sabiam melhor do que o próprio treinador. Em vez de fazer o que era necessário, o clube acionou uma opção de um ano e iniciou negociações para um novo contrato. O resultado? Um acordo de quatro anos e meio que viu Martial receber um milhão de libras a cada quatro semanas, enquanto a sua contribuição em campo se tornava cada vez mais escassa.
**Marcos Rojo**: Mourinho também estava entusiasmado com a renovação de Rojo, mas isso rapidamente se transformou em um erro. O jogador, que já estava lesionado ao assinar o contrato em 2018, fez apenas 13 aparições nos dois anos seguintes. Eventualmente, foi emprestado para o Estudiantes e, posteriormente, vendido ao Boca Juniors por uma quantia irrisória, se é que recuperaram mais do que o custo da sua passagem.
**Phil Jones**: O medo do Manchester United em deixar contratos expirarem levou a que renovassem com Jones, mesmo quando ele era um peso financeiro. Com um histórico de lesões, Jones nunca conseguiu jogar mais de 30 partidas numa temporada inteira. Após assinar um novo contrato em fevereiro de 2019, ele só apareceu em 13 jogos na liga, enquanto recebia 100 mil libras por semana. A ilusão de que ele poderia ser um dos melhores da história do clube, como sugerido por Sir Alex Ferguson, não passou de um sonho.
**Eric Bailly**: A repetição de erros continuou com a renovação de Bailly em abril de 2021, um jogador que sempre foi inconsistente e propenso a lesões. Mesmo após quatro temporadas onde apenas fez 37 jogos, o United decidiu dar-lhe um novo contrato de três anos, com uma opção de mais um ano. O resultado foi previsível: Bailly fez apenas mais oito aparições na liga antes de ser despachado para o Fenerbahce.
**Nani**: Por último, mas não menos importante, temos o caso de Nani. O winger conseguiu uma renovação de cinco anos sob a gestão de David Moyes, que se afastou rapidamente das suas promessas. Nani fez apenas doze aparições na liga após a renovação e foi emprestado ao Sporting, enquanto o United continuava a arcar com o seu salário.
Esses exemplos ilustram uma tendência alarmante no Manchester United: a incapacidade de tomar decisões contratuais sensatas. Com Casemiro a brilhar, a pressão para prolongar o seu contrato é compreensível, mas será que o clube aprenderá com os seus erros do passado ou repetirá a história? A incerteza está no ar e, com isso, o futuro do Manchester United continua a ser uma incógnita.
