Espanha está a protagonizar uma campanha defensiva absolutamente histórica no Mundial 2026, deixando adversários e especialistas boquiabertos. A selecção orientada por Luis de la Fuente chegou aos oitavos-de-final sem sofrer qualquer golo, sendo a única equipa que ainda não viu a sua baliza ser violada nesta edição do torneio, depois de o México ter sofrido três golos frente à Inglaterra.
Os dados impressionam: Espanha tornou-se a primeira selecção europeia desde a Suíça, em 2006, a conseguir manter a baliza inviolada nos quatro primeiros encontros de um Campeonato do Mundo. Mais, ao ter empatado 0-0 com Marrocos no último jogo do Mundial do Qatar 2022, a equipa espanhola está agora à beira de um feito inédito: pode tornar-se a primeira formação da história da competição a registar seis jogos consecutivos sem sofrer qualquer golo. A vitória por 3-0 frente à Áustria trouxe ainda outro recorde — foi a primeira vez desde a final de 2014, entre Alemanha e Argentina, que uma equipa não permitiu um único remate enquadrado com a sua baliza num jogo a eliminar do Mundial.

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A muralha espanhola tem sido guardada por Unai Simón, que já leva 519 minutos consecutivos sem sofrer qualquer golo na competição, superando o lendário registo de Walter Zenga (517 minutos) e também a marca espanhola de Iker Casillas (476 minutos), estabelecida até ser batido por Robin van Persie no emblemático cabeceamento em mergulho no Mundial 2014.
A confiança inabalável de Luis de la Fuente em Unai Simón tem sido um dos alicerces deste percurso. Apesar da pressão de nomes como David Raya, vencedor da Luva de Ouro da Premier League, e Joan Garcia, guarda-redes do Barcelona, o seleccionador manteve a aposta no jogador de 28 anos, com quem já tinha trabalhado aquando da conquista do Europeu de Sub-19, em 2015, e agora novamente na selecção principal desde 2023.
Após o triunfo sobre a Áustria, De la Fuente não escondeu o orgulho pelo seu guarda-redes: “Sinto orgulho nele”, declarou o seleccionador. “Sinto que é um membro da minha família. Estou muito feliz por ele”. Ainda assim, fez questão de sublinhar que o sucesso é mérito de todo o grupo: “Teve um papel muito importante na vitória, mas não se trata apenas de individualidades. É sobre todo o grupo se unir nesse esforço defensivo”.
O próximo marco histórico está já ao alcance. O recorde mundial de minutos sem sofrer golos pertence à Suíça, com 559 minutos, entre 1994 e 2010. Caso a Espanha mantenha a baliza inviolada até ao minuto 41 frente a Portugal, nos oitavos-de-final, ultrapassará essa marca e estabelecerá um novo máximo mundial.
Os números evidenciam a superioridade defensiva espanhola: nenhuma equipa conseguiu rematar à baliza nos primeiros 75 minutos de qualquer jogo desta Espanha no Mundial. Nos quatro jogos realizados, apenas um remate enquadrado sofreu Simón nos primeiros 30 minutos e os adversários somam somente dez remates antes do intervalo (média de 2,5 por primeira parte). A armada de De la Fuente lidera ainda em remates sofridos (19), remates enquadrados sofridos (três), toques permitidos na área (30) e menor expectativa de golo sofrido (xGA – 0,85). Se retirarmos os lances de bola parada, o xG cai para uns impressionantes 0,62.
A estatística revela ainda que 58% dos remates adversários surgem de fora da área, com apenas 60 passes permitidos dentro da grande área espanhola. A pressão alta também se destaca: os adversários fazem em média apenas 2,9 passes e mantêm a posse durante 7,7 segundos antes de serem desarmados pela Espanha.
Se a tendência se mantiver frente a Portugal, a selecção de Luis de la Fuente pode mesmo inscrever o seu nome na história do futebol mundial com a defesa mais impenetrável de sempre em Mundiais.
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