A FIFA está a provocar um verdadeiro alvoroço no mercado de transmissões televisivas ao exigir nada menos que 430 mil euros por cada jogo do Campeonato do Mundo de 2026. Este valor exorbitante levou a que a TVI, uma das principais estações de televisão em Portugal, tivesse todas as suas propostas rejeitadas, criando um clima de incerteza e frustração entre os adeptos do futebol e os responsáveis do canal. A revelação foi feita pelo jornal Expresso, que destaca a gravidade da situação.
Pedro Morais Leitão, o presidente executivo da Media Capital, não poupou críticas à FIFA, revelando que, ao longo do último ano, a TVI apresentou quatro propostas para a aquisição dos direitos de transmissão, todas elas em resposta a concursos promovidos pela federação internacional. Contudo, a FIFA, em uma postura firme e, talvez, até mesmo desafiadora, rejeitou cada uma das ofertas, argumentando que os valores propostos estavam muito aquém do que era desejado.
Este aumento de preços é particularmente alarmante, pois, segundo Pedro Morais Leitão, representa mais do dobro do que a TVI pagou para transmitir os jogos do Mundial 2022. O montante de 430 mil euros por jogo foi estabelecido durante um concurso realizado em fevereiro, e a situação levanta questões sobre a acessibilidade e a democratização do acesso às transmissões de um evento tão grandioso como o Mundial.
Até ao momento, apenas a Sport TV, que se comprometeu a transmitir todos os jogos do torneio, e o canal digital LiveModeTV, que irá transmitir os jogos da Seleção Nacional através do YouTube, confirmaram a sua participação na cobertura da competição em solo português. Em contrapartida, a DAZN já anunciou que não irá transmitir o Mundial, alegando que não se encaixa na sua estratégia de negócios.
Outros canais generalistas, como a SIC, estão em negociações, mas ainda não têm garantias sobre a aquisição dos direitos. A RTP, por sua vez, optou por não comentar sobre a situação, deixando no ar uma certa apreensão sobre a sua posição futura.
Morais Leitão também dirigiu críticas à Google, proprietária do YouTube, por apoiar o lançamento da LiveMode em Portugal. Para ele, a FIFA parece ter encontrado nesta plataforma digital uma forma eficaz de pressionar as televisões tradicionais a aceitarem preços que considera “irrazoáveis”.
Em termos globais, a FIFA tem um objetivo ambicioso: arrecadar cerca de 3,4 mil milhões de euros com a venda dos direitos de transmissão do Mundial 2026. Este cenário não só levanta preocupações sobre o futuro das transmissões desportivas, mas também acende um debate sobre o que significa, realmente, a democratização do acesso ao desporto em tempos de crescente comercialização. Com a pressão em aumento e as negociações em curso, o desfecho desta saga promete ser eletrizante para os fãs do futebol.
