A recente partida entre Liverpool e Fulham, que terminou em um empate de 2-2, trouxe à tona uma controvérsia que incendiou as redes sociais e levantou questões sobre a integridade das regras do futebol. O gol de empate de Florian Wirtz foi objeto de intensos debates, com muitos torcedores e especialistas argumentando que deveria ter sido anulado por estar em posição de fora de jogo. “Eu tinha certeza de que estava em posição irregular, por isso não cheguei a comemorar”, revelou Wirtz em entrevista à Sky Sports logo após o apito final, lembrando que o bandeirinha sinalizou a infração assim que a bola balançou a rede.
O técnico do Fulham, Marco Silva, concordou com a percepção de que o gol parecia irregular: “Muitas pessoas no estádio sentiram o mesmo. Parecia fora de jogo, mas temos que acreditar que a tecnologia semi-automatizada funcionou bem e fez o que era certo”. A partir de uma imagem congelada do momento em que a bola saiu do pé de Conor Bradley, a impressão é de que o internacional alemão estava ligeiramente atrás do último defensor do Fulham. As linhas desenhadas no campo mostram que o pé de Wirtz estava em linha com a marca do pênalti, enquanto o defensor Issa Diop estava ligeiramente atrás.
Embora a imagem indique que Wirtz estava minimamente fora de jogo, é importante lembrar que, em tempos anteriores ao VAR, essa jogada poderia ter sido considerada “no mesmo nível”. Essa mudança de abordagem é resultado de uma atualização nas regras da Premier League implementada no início da temporada 2021-22, onde foi introduzido um novo critério de tolerância. Mike Riley, gerente da PGMOL na época, explicou: “As unhas dos pés e os narizes que poderiam estar em posição irregular no ano passado não estarão na próxima temporada”. Essa nova tolerância é a razão pela qual o gol de Wirtz foi validado, mesmo com o bandeirinha inicialmente sinalizando o impedimento.
Entretanto, essa situação suscita uma série de questões sobre a uniformidade na aplicação das regras. Outros torneios, como a Liga dos Campeões, eliminaram a ideia de tolerância, avaliando os impedimentos com precisão milimétrica desde a adoção da Tecnologia de Impedimento Semi-Automatizada (SAOT). Portanto, se o gol de Wirtz tivesse sido marcado em uma noite europeia, ele não teria contado, apesar de a Premier League também estar utilizando a SAOT, mas com um sistema diferente do da UEFA.
Além disso, surgem dúvidas sobre a consistência na aplicação dessas regras. Na mesma tarde em que Wirtz fez seu gol, Anthony Gordon, do Newcastle United, viu um gol anulado por um impedimento que parecia igualmente próximo, se não mais. Essa discrepância nas decisões de VAR levanta um ponto crucial: será que a introdução dessa tecnologia realmente resolveu as disputas sobre os impedimentos, ou simplesmente as transformou em novas controvérsias?
À medida que o debate sobre a justiça e a integridade das decisões no futebol continua, fica claro que a tecnologia, embora inovadora, ainda não é uma solução definitiva para todas as questões que cercam o jogo. O caso de Wirtz serve como um lembrete de que a luta contra a incerteza nas decisões de arbitragem está longe de ser resolvida.
