Francisco Conceição, extremo da Juventus, não tem dúvidas: considera-se “um dos melhores do mundo na sua posição” e revela uma faceta pouco comum para um jogador ofensivo — adora ganhar duelos defensivos tanto como marcar golos. O jovem de 23 anos, filho do histórico Sérgio Conceição, antigo jogador e agora treinador, fala sem rodeios sobre a sua mentalidade vencedora e a exigência que herdou do pai.
Em entrevista exclusiva à La Gazzetta dello Sport, Francisco não esconde a influência decisiva do progenitor na sua carreira. “O meu pai diz-me para jogar com paixão, para desfrutar do futebol e tentar fazer a diferença com as minhas características,” afirmou o extremo da Juventus. “Também gosto de defender e ganhar tackles, porque foi isso que ele me ensinou desde pequeno. Vencer um duelo pode ser tão importante como uma assistência ou um golo. Dá-me prazer, tal como driblar ou marcar. Tento sempre ajudar a equipa a ganhar esses duelos.”
A ligação familiar ao futebol é profunda e complexa para Conceição. O jovem foi lançado no futebol profissional pelo próprio pai, nos tempos em que Sérgio dirigia o FC Porto. “Aprendi muito com ele porque é um grande treinador, mostrou-me onde tinha de melhorar, e se hoje estou aqui, é porque ele ajudou-me a crescer.” Mas nem tudo foi fácil: “Quando tens 18 anos e o teu pai é o treinador, dói ouvir que só jogas porque és filho dele. Isso tornou-me mais forte mentalmente e fez-me amadurecer depressa.”
Francisco reconhece que a pressão de ser filho de uma figura tão conhecida foi uma arma de dois gumes. “Toda a gente sabia que eu era filho do Sérgio Conceição, mas também via que jogava porque tinha qualidade, não só por ser filho dele. Fiz um bom trabalho na equipa principal desde o início.” O treinador é rigoroso e exigente, sobretudo no trabalho. “Em casa, é mais carinhoso, mas no trabalho é muito severo. Quando estava no Porto, pesava-nos todos os dias e se estivesse 100 gramas acima, dizia-me para comer menos.”
Apesar de ter apenas quatro golos e cinco assistências em 42 jogos oficiais esta época, Conceição mantém a confiança inabalável e a ambição de ser um dos grandes nomes do futebol mundial. “Ninguém consegue ultrapassar alguém a driblar, até que alguém o faz. A minha mentalidade é não ter medo, vou tentar provar isso. Acredito que sou um dos melhores do mundo na minha posição.”
O extremo encara as críticas ao seu registo de golos com frontalidade e está a trabalhar para melhorar essa vertente. “Sei que tenho de melhorar o remate, mas é mais uma questão mental do que técnica. Tenho de manter a calma naquele momento, e estou a trabalhar isso com a equipa técnica. Acredito que tenho qualidade para marcar muitos golos.”
Francisco Conceição não é apenas um talento em ascensão — é uma força da natureza que quer impor-se no futebol europeu, apoiado numa herança familiar de exigência, paixão e trabalho duro. A Juventus tem em mãos uma pérola que promete incendiar os relvados italianos e europeus nos próximos anos.
Este artigo aparece primeiro em Apito Final.
