A Inglaterra venceu a Noruega nos quartos de final do Mundial, mas o treinador Thomas Tuchel mostrou-se visivelmente insatisfeito com a exibição da sua equipa. Apesar do triunfo, Tuchel afirmou que a equipa complicou demasiado a sua vida e não correspondeu ao esperado.
O encontro decorreu no sábado, com a Inglaterra a dominar grande parte do jogo, mas a falhar em manter a consistência do seu futebol. “O resultado é fantástico, mas não estou contente com a performance,” declarou Tuchel na conferência de imprensa pós-jogo. O técnico alemão reconheceu o empenho dos jogadores e o espírito de equipa: “Estou impressionado com o esforço, o espírito de grupo e a crença em superar as adversidades.” Contudo, acrescentou: “Sou treinador de futebol e penso que podemos jogar melhor. Tivemos muitos altos e baixos, cometemos erros técnicos, não fomos rápidos nem repetitivos o suficiente.”

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Thomas Tuchel tem um modelo de jogo muito definido para a Inglaterra, baseado na posse de bola dominante, pressão agressiva e passes calculados para atrair a pressão adversária, que depois é explorada com acelerações para encontrar os avançados em espaços. Contra equipas que bloqueiam defensivamente, como a Noruega, a estratégia passa por atacar pelas alas, utilizando triângulos largos e rotações para criar ocasiões.
No jogo contra a Noruega, a equipa de Solbakken alinhou num 4-5-1 muito compacto, bloqueando os espaços, enquanto a Inglaterra tentou atacar num sistema 3-2-5. O trio defensivo inglês foi composto por Marc Guehi, John Stones e Ezri Konsa, com Declan Rice e Elliot Anderson no meio-campo, e o lateral esquerdo Nico O'Reilly a juntar-se ao quarteto ofensivo para ter superioridade numérica.
Tuchel destacou que a equipa “não foi suficientemente repetitiva”, referindo-se à falta de períodos prolongados de posse com passes curtos que pudessem desenrascar a defesa norueguesa. Esta abordagem deveria ter “puxado” os adversários para longe das suas posições, abrindo espaços para passes a rasgar ou para explorar as alas. No jogo da fase de grupos contra o Gana, que também utilizou um bloco 4-5-1, Tuchel tinha instruído os jogadores a jogar “curto, curto, curto” antes de procurar um “passe longo” para mudar o flanco, tática que se viu parcialmente contra a Noruega.
Durante o primeiro quarto do encontro, a Inglaterra mostrou alguns lampejos deste estilo, com passes curtos numa ala para atrair a pressão adversária e depois rápidas trocas para o lado oposto, frequentemente com Anderson a lançar para Noni Madueke. No entanto, a eficácia destes movimentos diminuiu com o avançar do jogo, e a posse inglesa caiu de 68% na primeira parte para 44% na segunda.
Outro ponto-chave do plano de Tuchel são as rotações posicionais nos triângulos largos, uma tática que devia ter sido explorada mais eficazmente contra a Noruega. Os médios alas noruegueses mantiveram-se alinhados com o meio-campo, em vez de recuarem para a linha defensiva, e a defesa manteve-se compacta, dificultando as opções ofensivas inglesas. Assim, apesar das várias soluções possíveis, a Inglaterra não conseguiu acelerar o jogo como desejado, um dos principais motivos para a frustração do treinador.
Apesar das críticas, a Inglaterra mantém-se no Mundial, mas a pressão para melhorar o rendimento e alinhar com as ideias de Tuchel será decisiva para os desafios futuros da equipa. O treinador sabe que o potencial está lá, mas exige mais rigor e velocidade para que a equipa possa realmente dominar os jogos e justificar as vitórias com futebol convincente.
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