Itália fora do Mundial 2026: o drama que abala o futebol transalpino e os desafios que se avizinham
A humilhação de ver a Itália falhar pela terceira vez consecutiva a qualificação para o Campeonato do Mundo deixou um vazio enorme no calendário futebolístico do país. Enquanto o mundo inteiro se prepara para desembarcar na América do Norte para o Mundial 2026, os Azzurri enfrentam uma crise profunda, tanto dentro como fora de campo, e procuram desesperadamente um caminho para a reconstrução.
Sem Mundial, o verão italiano será sombrio: em junho, a única luz será um amigável contra a Grécia, um duelo que mal disfarça a ausência de uma competição que a Itália já conquistou por quatro vezes. O jogo será disputado num ambiente carregado de incertezas — sem presidente da Federação Italiana de Futebol (FIGC) eleito, com um novo selecionador à espera de afirmação e com um futebol nacional a questionar-se sobre o seu futuro.
A dolorosa derrota na Bósnia, em março, que selou a eliminação, deixou marcas profundas. Naquele fatídico encontro em Zenica, estiveram presentes figuras como o Ministro do Desporto Andrea Abodi, o presidente do Comité Olímpico Nacional Italiano Luciano Buonfiglio e o então presidente da FIGC Gabriele Gravina. Mas nada disso impediu o desastre que hoje assola a Itália.
No entanto, nem tudo está perdido: o verdadeiro teste começa em setembro, com a entrada na Liga das Nações da UEFA, no grupo A1, onde a Itália vai medir forças com França, Bélgica e Turquia — um grupo de alta exigência que esconde uma oportunidade valiosa para os italianos recuperarem prestígio e confiança. O calendário é apertado: a abertura será em casa contra a Bélgica a 25 de setembro, seguida de uma deslocação à Turquia apenas três dias depois. Outubro trará o desafio maior, com uma visita à França a 2 de outubro e o regresso a casa para enfrentar a Turquia. A fase de grupos fecha em novembro, com um jogo em Itália contra a França e uma deslocação final à Bélgica.
Esta Liga das Nações é muito mais do que um conjunto de jogos; representa uma via concreta para a Itália voltar a ser relevante no futebol europeu e mundial. O vencedor do grupo garante não só prestígio e pontos para o ranking, mas também influencia a qualificação para o Euro 2028. Para o novo selecionador e os dirigentes que assumirão o controlo da equipa, esta competição é a plataforma ideal para iniciar uma reconstrução séria e estruturada.
Lendas do futebol italiano como Alessandro Del Piero, Fabio Capello e Franco Baresi já lançaram apelos à humildade e à vontade de começar do zero. A raiva e o embaraço causados pela eliminação no playoff têm de ser convertidos em força para reformar o futebol italiano em todas as vertentes.
Por mais que a Liga das Nações ainda possa parecer um palco pouco glamoroso para os Azzurri, é exatamente aqui que a Itália deve começar a sua caminhada de renascimento. O cenário é exigente, a pressão é imensa, mas o futuro do futebol italiano depende da capacidade de transformar esta crise numa oportunidade real de mudança. O Mundial 2026 pode ser um pesadelo para os italianos, mas o desafio que aí vem pode ser a redenção que o país tanto precisa.
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