Terça-feira, Fevereiro 24, 2026

Jornalista erra redondamente na reação à suspensão de Gianluca Prestianni pela UEFA

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A situação no mundo do futebol está a aquecer, especialmente após a UEFA iniciar uma investigação sobre as alegações de abuso racista dirigidas a Vinicius Jr., o avançado do Real Madrid. Este incidente chocante ocorreu durante o primeiro jogo do playoff da Liga dos Campeões contra o Benfica, no Estádio da Luz, e agora gera controvérsia não apenas pelo que aconteceu, mas pelas reações que se seguiram.

Após Vinicius Jr. marcar um golo que colocou a sua equipa em vantagem, o jogador argentino Gianluca Prestianni foi acusado pelo brasileiro de ter feito uma insinuação racial, cobrindo a boca com a camisa para proferir um insulto. A gravidade da situação levou a UEFA a suspender Prestianni para o jogo de volta agendado para 25 de fevereiro. A decisão foi, em geral, bem recebida, mas não sem críticas de alguns setores da imprensa.

Raúl Varela, editor do programa La Tribu da Radio Marca, fez comentários bastante polêmicos sobre a suspensão. Ele argumentou que a decisão poderia beneficiar o Real Madrid, sugerindo que a medida é questionável uma vez que Prestianni ainda não foi provado culpado. “O que ficou claro é que, em termos de cronologia, as coisas não correram mal para Madrid. Pelo contrário. E ele concluiu com uma afirmação bastante gráfica do ponto de vista competitivo: Um jogador que não é definitivamente culpado nem inocente falha o jogo, e, sob uma perspetiva competitiva e narrativa, pode ser considerado uma derrota por 1-0”, disse Varela.

Essas declarações provocam indignação, especialmente dado que o comportamento de Prestianni foi testemunhado por outros jogadores do Real Madrid. Cobrir a boca para proferir palavras implica que os especialistas em leitura labial não podem ser utilizados, mas espera-se que um microfone à beira do campo possa ter captado o que foi dito. A reação de Vinicius Jr. não sugere que ele tenha mal interpretado a situação.

A UEFA tem um histórico de lidar com incidentes de racismo, como o caso de Luis Suarez, do Liverpool, que em 2012 foi acusado de racismo contra Patrice Evra do Manchester United. Após a investigação, Suarez foi punido e o incidente resultou numa situação tensa entre os dois jogadores, que culminou numa recusa de Suarez em cumprimentar Evra antes de um jogo subsequente. É possível que a UEFA tenha considerado este precedente ao decidir suspender Prestianni, antecipando os potenciais problemas que poderiam surgir em campo.

A maioria dos especialistas concorda que a suspensão é a decisão correta, mas a defesa de Varela parece estar a abrir um perigoso precedente. Ignorar a gravidade das alegações de racismo e concentrar-se apenas nos aspectos competitivos é uma linha de raciocínio que pode ter consequências nefastas no futuro.

O futebol deve ser um espaço de respeito e inclusão, e a resposta a incidentes de racismo deve ser firme. As declarações controversas como as de Varela não apenas desvirtuam a seriedade da situação, mas também podem incentivar uma cultura de impunidade no desporto. A UEFA está a fazer o que é necessário para abordar a questão do racismo, e é crucial que todos os envolvidos no futebol apoiem essa luta.

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