O cenário do futebol inglês está mais agitado do que nunca, com Manchester United e Arsenal em trajetórias diametralmente opostas. Enquanto os Red Devils se debatem numa crise pós-Sir Alex Ferguson, os Gunners parecem presos a um passado que não conseguem deixar para trás. O recente despedimento de Ruben Amorim apenas intensifica a incerteza que rodeia o clube de Manchester, levantando questões sobre o futuro e a verdadeira identidade do clube.
Debriefing a situação, é impossível não lembrar o famoso vídeo do comediante Michael Spicer, que se tornou viral há sete anos, onde ele captura a essência da conversa sobre o Manchester United: “Este é o Manchester United Football Club, um dos maiores clubes de futebol do mundo.” Esta frase ressoa com uma verdade inquietante. A ideia de um “DNA” do Manchester United é frequentemente evocada, mas muitos se perguntam se essa “identidade” realmente existe. Para muitos torcedores, clubes como Ajax e Barcelona, com suas filosofias profundamente enraizadas, são exemplos do que significa ter um verdadeiro DNA. A conexão entre Johan Cruyff e esses clubes exemplifica a continuidade que o Manchester United parece ter perdido.
Fora da era de Ferguson, o United não é mais que um clube em busca de uma identidade, um estado que o coloca ao lado de clubes como o Aston Villa na hierarquia do futebol inglês. A realidade é que Ferguson nunca se limitou a uma única filosofia durante seus 26 anos de reinado em Old Trafford. Ele era um mestre em adaptação, mudando táticas e estilos para se manter à frente da concorrência. Assim, quando os analistas falam sobre o “modo” ou o “DNA” do Manchester United, na verdade, anseiam por reviver os gloriosos anos sob Ferguson. No entanto, é hora de o clube se libertar da sombra do seu ex-treinador, que, por sua vez, não deixou um legado que se perpetuasse.
Por outro lado, temos o Arsenal, que, apesar de ser líder da Premier League, parece incapaz de superar as dores do passado. O empate sem gols contra o Liverpool, atual campeão, deixou os torcedores em alvoroço, criando uma atmosfera de desespero em torno do Emirates Stadium. Com a possibilidade de distanciar-se ainda mais na tabela, os Gunners perderam uma oportunidade crucial de consolidar sua vantagem. A pressão interna é palpável, e a dúvida sobre a capacidade do time de lidar com a pressão é cada vez mais evidente.
Os dados mostram que o Arsenal tem sido uma força dominante, liderando tanto a Premier League quanto a Liga dos Campeões, mas a mentalidade de “bottlers” que se colou ao clube é uma barreira difícil de romper. O desafio de Mikel Arteta é monumental: ele precisa convencer tanto os jogadores quanto os torcedores de que o Arsenal é um clube com um legado rico e vitorioso, e não apenas uma instituição marcada por falhas e desapontamentos.
A dualidade entre Manchester United e Arsenal é emblemática. Enquanto o United se esforça para recuperar a sua grandeza, Arsenal deve aprender a deixar para trás os fantasmas do passado. O futuro dessas duas potências do futebol inglês pode estar mais interligado do que se imagina. Para um deles, a mudança é imperativa, mas a grande questão persiste: será que estão prontos para deixar o passado para trás e abraçar um novo futuro? O tempo dirá, mas o que é certo é que o futebol inglês continuará a ser um palco emocionante para essas duas histórias.
