Esta semana assinala o 10º aniversário do início de um sonho que transformou Marcus Rashford num dos nomes mais reconhecíveis do futebol mundial. Após uma estreia de sonho no Manchester United, onde marcou quatro golos em apenas dois jogos, Rashford não apenas conquistou o coração dos adeptos, mas também se lançou numa carreira que o levaria a se tornar um ícone do desporto. As suas proezas iniciais foram relembradas em entrevistas exclusivas com Juan Mata, Frans Hoek e James Weir, que partilharam os bastidores daquele momento decisivo.
“Cuidado agora. Aproveita, mas vais receber muita atenção da mídia; toda a gente vai saber quem és. Passaste de ninguém a uma potencial superestrela…” foram as palavras proféticas de Michael Carrick para um jovem Rashford, que apenas três dias depois de fazer a sua estreia na Europa, brilharia novamente na Premier League. O que se seguiu foi um conto de fadas, repleto de reviravoltas e momentos que moldaram a história do United.
O início da saga de Rashford ocorreu em uma noite memorável na Liga Europa contra o Midtjylland, seguido por um clássico da Premier League contra o Arsenal, onde o jovem de Wythenshawe mostrou ao mundo o que significa ser um verdadeiro jogador de futebol. Com 400 aparições pela equipa principal, 68 caps pela seleção inglesa e mais de 150 golos, a história de Rashford não é apenas a de um jogador, mas a de um fenómeno.
Os desafios estavam à espreita antes da sua estreia. O Manchester United enfrentava uma crise de lesões no ataque, com Wayne Rooney e Anthony Martial indisponíveis. O técnico Louis van Gaal, no entanto, tinha uma decisão a tomar que mudaria o curso da história do clube. “Voltámos ao balneário e os assistentes estavam a sugerir várias soluções, exceto a de colocar o Marcus,” revela Frans Hoek, membro da equipa técnica de Van Gaal. “Quando todos terminaram de falar, Louis disse: ‘Não mudamos nada. O Marcus vai jogar. Ele merece. Ele está a melhorar e eu acredito nele.’ Aquela foi a altura decisiva.”
O holandês sempre teve uma visão clara sobre o potencial dos jovens jogadores. “Ele nunca teve medo de lançar jovens,” continua Hoek. “Assim fez no Ajax, no Barcelona, no Bayern e na seleção nacional. Para ele, se são bons o suficiente, são velhos o suficiente. É simples.” Van Gaal não hesitou em confiar em Rashford, cuja única experiência anterior na equipa principal se limitava a uma aparição no banco contra o Watford.
O impacto de Rashford foi imediato e surpreendente, levando muitos a questionar: “Quem é este miúdo?” Contudo, os que o conheceram bem durante a sua formação sabiam que ele era especial. “Ele era o cara!” afirma James Weir, que jogou ao lado de Rashford nas camadas jovens do United. “Na academia, o Rashford podia fazer o que quisesse com uma bola.”
Assim, a história de Marcus Rashford é um testemunho da perseverança, talento e da coragem de um treinador que apostou em um jovem quando mais precisava. Dez anos depois, Rashford continua a brilhar, agora a jogar por empréstimo no Barcelona, mas a sua ligação ao Manchester United e a sua jornada desde o anonimato até à fama mundial permanece uma inspiração para muitos.
