No mundo frenético da Premier League, onde a pressão para obter resultados é imensa e os clubes parecem estar prontos para demitir treinadores a qualquer momento, David Moyes, o treinador do Everton, levanta uma bandeira de resistência. Às vésperas de um confronto crucial contra o Manchester United, Moyes expressou a sua frustração com a cultura de demissões que se instalou na liga, especialmente após as recentes saídas de Sean Dyche do Nottingham Forest e Thomas Frank do Tottenham.
Moyes não hesitou em afirmar que os clubes que optam por dar continuidade aos seus treinadores, proporcionando-lhes tempo e estabilidade, são os que colhem os melhores frutos. “Acredito que os clubes que mantêm os seus treinadores e lhes dão longevidade são os que alcançam mais sucesso. Esses clubes são, por isso, mais estáveis”, declarou o técnico escocês, sublinhando a importância da paciência e da confiança nas equipas técnicas.
Em uma análise incisiva, Moyes também abordou a situação de Oliver Glasner no Crystal Palace. “Vi um pouco do Crystal Palace e fiquei surpreso com a decepção pelo empate 1-1 fora de casa numa fase de qualificação da Europa Conference League contra o Jagiellonia Białystok. Eles acabaram de vencer a FA Cup e já há críticas ao treinador. É inacreditável”, afirmou, questionando a lógica por trás das exigências imediatas de resultados. Ele acrescentou que a incerteza sobre a permanência de Glasner pode estar a alimentar essa pressão.
Moyes, que tem sido um exemplo de resiliência no seu papel, reconhece que a pressão sobre os treinadores está em alta. “Estamos a ver isso com vários treinadores atualmente. Mesmo o Dyche, que tinha um bom registo com o Nottingham Forest, foi despedido. Há uma expectativa por mudanças rápidas, e quem decide entrar no mundo da gestão desportiva deve aceitar que a sua passagem pode ser breve”, refletiu.
Ele também fez questão de destacar que, apesar das dificuldades, existem treinadores que permanecem firmes em seus cargos. “Sou um deles. Continuo no meu trabalho, esforçando-me todos os anos para vencer um troféu ou terminar numa posição que assegure a qualificação para a Europa. Se isso é considerado sucesso, quando tantos são dispensados rapidamente, então talvez haja algo a ser dito sobre aqueles que conseguem resistir no cargo”, concluiu Moyes.
A mensagem é clara: em tempos de instabilidade e decisões precipitadas, a perseverança e a continuidade podem ser as chaves para o verdadeiro sucesso no futebol. Com uma liga marcada por mudanças constantes, Moyes defende uma abordagem mais paciente que, segundo ele, poderá trazer frutos a longo prazo.
