Mundial 2026 pode ser chave para futuro da MLS após era Messi

Partilhar

O futebol norte-americano prepara-se para enfrentar o maior teste da sua história recente: conseguir que o Mundial de 2026 deixe uma marca duradoura e não se limite a ser apenas um espectáculo momentâneo. Com Lionel Messi a aproximar-se do final da carreira e a Major League Soccer (MLS) a depender fortemente do impacto da estrela argentina, o grande desafio é garantir que a competição catapulte a liga para uma nova era de protagonismo, em vez de se transformar numa oportunidade desperdiçada.

A poucos anos do pontapé de saída do Mundial que será disputado nos Estados Unidos, Canadá e México, a MLS apresenta-se como uma das dez principais ligas do mundo, contando actualmente com 30 equipas, jogadores campeões do mundo e valores de franquias que ultrapassam, em alguns casos, mil milhões de dólares. O comissário da liga, Don Garber, deixou claro, no seu discurso anual de Dezembro, que espera que “a próxima década redefina o que é possível para a MLS e para o futebol norte-americano”, acrescentando que “à medida que o mundo se vira para a América do Norte, o Mundial 2026 servirá como combustível de foguete para todo o nosso ecossistema, e fá-lo-á para a MLS”. Contudo, Garber não detalhou de que forma a liga pode transformar este evento numa vantagem estrutural e duradoura, ao contrário do que aconteceu em 1994, quando o Mundial impulsionou a criação da própria MLS.

O Mundial vive-se com a LEGO
O Mundial vive-se com a LEGO

O MUNDIAL 2026 VIVE-SE COM A LEGO

A questão central é saber se a MLS está verdadeiramente preparada para capitalizar a explosão de interesse que acompanha sempre um Mundial, especialmente tendo em conta os crescentes custos de vida, a polarização política e as barreiras económicas que se anteveem para muitos adeptos. Em 1994, o legado foi claro: a criação de uma liga profissional sólida e sustentável. Agora, com a presença de Messi a atrair as atenções globais, a incógnita é o que restará quando o argentino abandonar os relvados norte-americanos.

Um dos trunfos da MLS para este ciclo é o acordo com a Apple TV, que em 2022 estabeleceu uma nova era na transmissão dos jogos da liga. No início da época do Mundial, a MLS e a Apple decidiram eliminar o custo extra do “MLS Season Pass”, disponibilizando todos os encontros a todos os assinantes da plataforma, que ultrapassa os 45 milhões de utilizadores em todo o mundo. Os números, embora privados, foram destacados pela liga em Maio, com uma média de 7,9 milhões de espectadores semanais ao longo dos primeiros três meses da temporada de 2026 — um aumento de 62% face ao ano anterior. O dado mais relevante: a idade média do espectador situa-se nos 39,6 anos, a mais baixa entre as grandes ligas masculinas norte-americanas.

Este verão, mais de uma centena de jogadores da MLS representarão as suas selecções no Mundial, um dado que poderá reforçar a ligação emocional dos adeptos à competição doméstica. No entanto, persistem dificuldades de visibilidade mediática. Apesar de a Apple TV facilitar o acesso aos jogos, a verdade é que a MLS continua ausente dos principais canais televisivos tradicionais norte-americanos, como a ESPN, FOX Sports ou TNT, onde é frequentemente relegada para segundo plano. As grandes audiências e a discussão pública continuam a ser moldadas pelo que passa nestes canais, tornando difícil para a MLS competir com a Liga Inglesa, que mantém uma presença constante e dominante.

Perante este quadro, os obstáculos são evidentes. Sem exposição significativa nos canais mais populares, a MLS arrisca-se a ver o aumento de interesse pós-Mundial canalizado para o futebol europeu, em vez de reverter em benefício próprio. A própria estrutura da competição, com estádios novos e dispendiosos — frequentemente condenados ao abandono após o evento — levanta dúvidas quanto ao verdadeiro legado que o Mundial deixará.

Don Garber, em declarações recentes, sublinhou o potencial transformador do evento, mas reconheceu que “a oportunidade só se concretizará se a liga for capaz de ligar emocionalmente os novos adeptos à sua competição”. A presença de Messi poderá ser um catalisador, mas a MLS terá de apostar numa estratégia de comunicação mais agressiva, garantir transmissões abertas e criar narrativas locais que prendam os adeptos ao produto interno.

O que está em jogo é o futuro do futebol norte-americano. Se a MLS for bem-sucedida, poderá consolidar-se como verdadeiro concorrente às principais ligas mundiais, captar talento internacional e criar uma nova geração de seguidores fiéis. Caso contrário, corre o risco de ser apenas um actor secundário num palco global, desperdiçando a maior oportunidade da sua história. Nos próximos meses, a liga terá de acelerar a sua integração nos grandes canais, continuar a investir no desenvolvimento de jogadores e, acima de tudo, garantir que o pós-Messi não seja um regresso ao passado, mas sim o início de uma era dourada.

AGORA PODE ACOMPANHAR O MUNDIAL DE FUTEBOL COM TODA INFORMAÇÃO – AQUI

Mais Notícias

Outras Notícias