Noruega pondera queixa ética na FIFA por papel de Trump no cartão vermelho

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A influência de Donald Trump na suspensão de um jogador no Mundial está a gerar polémica e poderá levar a uma queixa formal junto do comité de ética da FIFA. A Federação Norueguesa de Futebol anunciou que o seu conselho de administração vai ponderar apresentar a reclamação na próxima reunião, prevista para 6 de agosto.

O caso remonta ao Mundial, quando o jogador Folarin Balogun recebeu um cartão vermelho numa partida contra a Bósnia e Herzegovina, o que implicaria uma suspensão automática de um jogo. Contudo, após uma chamada telefónica de Trump ao presidente da FIFA, Gianni Infantino, a suspensão foi suspensa, permitindo a Balogun jogar no jogo seguinte contra a Bélgica, decisivo para acesso aos quartos-de-final. A Bélgica acabou por vencer os Estados Unidos por 4-1 num ambiente tenso e marcado por esta controvérsia.

Lise Klaveness, presidente da Federação Norueguesa e antiga jogadora da seleção feminina da Noruega, criticou duramente esta intervenção. Em declarações publicadas no The Times, afirmou: “Sabemos todos que este veredicto foi influenciado por forças externas e não teve o devido processo”. Klaveness alertou para o risco que esta decisão representa para a integridade do futebol: “Quando se dobra uma regra assim, está-se numa ladeira escorregadia que põe o jogo inteiro em risco”. Como jurista e membro do comité executivo da UEFA, Klaveness enfatizou a importância de preservar as regras fundamentais do desporto e lamentou que a suspensão de Balogun não tenha sido aplicada, considerando isso uma “preocupação para o jogo”.

Este episódio surge num contexto onde a FIFA já enfrenta críticas sobre a sua imparcialidade e transparência. A Noruega, juntamente com uma ONG sediada em Londres, já tinha apresentado uma queixa ao comité de ética da FIFA contra Infantino, alegando uma violação do dever de neutralidade política, especialmente após a criação de um prémio de paz para Donald Trump durante o sorteio do Mundial. A ligação próxima entre Trump e Infantino, incluindo rumores de que Trump consideraria Infantino para o cargo de secretário-geral das Nações Unidas, alimenta ainda mais as suspeitas de favorecimento.

Além da FIFA, a ONG FairSquare apresentou também uma queixa ao Comité Olímpico Internacional, do qual Infantino é membro eleito, por alegada violação das regras de neutralidade política. Até ao momento, nem a FIFA nem o COI têm dado atualizações públicas sobre estes processos éticos.

A questão da independência dos processos disciplinares da FIFA tem sido questionada desde 2017, ano em que o investigador principal e o juiz responsável foram substituídos, no segundo ano da presidência de Infantino. A falta de transparência sobre as decisões disciplinares relativas a Balogun e outros jogadores do Mundial mantém a polémica viva, deixando o mundo do futebol à espera de respostas claras e de decisões que possam restaurar a confiança no sistema.


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