Portugal obrigado a vencer Uzbequistão após empate com RD Congo

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Portugal entra em campo esta noite sob enorme pressão para vencer o estreante Uzbequistão, depois de um empate frustrante frente à República Democrática do Congo, que deixou os adeptos portugueses em estado de choque. A selecção das quinas, apontada como favorita a liderar o Grupo K, trocou o favoritismo por uma exibição titubeante em Houston, onde a incapacidade de capitalizar o domínio (com uns impressionantes 75% de posse de bola) se traduziu apenas num empate a uma bola, com Cristiano Ronaldo a passar novamente ao lado do jogo.

A equipa comandada por Roberto Martínez abriu o marcador por João Neves, mas permitiu o empate já nos descontos da primeira parte, graças a um cabeceamento certeiro de Yoane Wissa. Este resultado lançou dúvidas profundas sobre a dependência quase absoluta do veterano Ronaldo, de 41 anos, que segue numa série negra de 10 jogos consecutivos sem marcar em grandes torneios, minando o potencial ofensivo de um plantel recheado de talento.

Do outro lado, o Uzbequistão, sob o comando do histórico Fábio Cannavaro — vencedor do Mundial e da Bola de Ouro em 2006 —, surpreendeu pela positiva no seu primeiro jogo de sempre numa fase final do Mundial. Frente à Colômbia, em plena Cidade do México, a equipa uzbeque mostrou-se ambiciosa, resistindo até ao intervalo antes de ver Daniel Muñoz abrir o marcador. A resposta não tardou, com Abbosbek Fayzullaev a empatar já no início do segundo tempo, mas os sul-americanos viriam a impor-se por 3-1, graças aos golos de Luis Díaz e Jaminton Campaz.

Este segundo encontro do Grupo K ganha importância máxima para ambos os conjuntos. Para Portugal, qualquer resultado que não seja a vitória compromete seriamente as aspirações de qualificação para a próxima fase e coloca Martínez sob escrutínio intenso. Para o Uzbequistão, um ponto seria histórico e um triunfo abriria as portas a um dos maiores feitos do futebol asiático dos últimos anos.

Roberto Martínez, técnico português, mostrou-se pragmático após o empate: “Dominámos, mas faltou-nos eficácia. Não podemos depender só do Cristiano, precisamos de soluções colectivas”, afirmou na conferência de imprensa de antevisão ao jogo, realçando o papel de Bruno Fernandes: “É um jogador fundamental e acredito que vai aparecer nos momentos decisivos”. Já Fábio Cannavaro, por sua vez, sublinhou o espírito da sua equipa: “Estamos aqui para fazer história. O respeito por Portugal é enorme, mas ninguém nos tira o sonho”, declarou o italiano após o jogo inaugural dos uzbeques.

Em termos tácticos, prevê-se que Portugal entre com Diogo Costa na baliza, uma linha defensiva composta por Cancelo, Araujo, Veiga e Nuno Mendes, um meio-campo com Vitinha, João Neves e Bruno Fernandes, e um trio ofensivo onde Ronaldo deverá manter a titularidade, ladeado por Francisco Conceição e Pedro Neto. O Uzbequistão, fiel ao esquema compacto que apresentou frente à Colômbia, alinhará com Yusupov na baliza, Khusanov, Abdullaev e Ashurmatov no eixo defensivo, apoiados por quatro médios de combate e criatividade, e uma frente de ataque liderada por Shomurodov.

As casas de apostas atribuem favoritismo esmagador a Portugal, com odds a rondar os 1,20 para a vitória lusitana, enquanto um triunfo do Uzbequistão paga acima de 10,00 — um reflexo claro do fosso teórico entre as selecções. Destaca-se ainda a forte possibilidade de menos de 3,5 golos no encontro, tendo em conta a dificuldade de Portugal em construir vitórias folgadas desde a conquista da Liga das Nações. Bruno Fernandes surge como o trunfo para desbloquear a partida, apostando-se numa assistência ou golo do médio do Manchester United. Gonçalo Ramos, que brilhou no último Mundial ao substituir Ronaldo, poderá também ser lançado para dar outra dinâmica ao ataque, sendo provável que consiga pelo menos um remate enquadrado.

O desfecho deste encontro poderá marcar uma viragem na campanha portuguesa. Se a selecção nacional confirmar o favoritismo, ganhará confiança e tranquilidade para encarar o último jogo do grupo. Um novo deslize, porém, abrirá debate feroz sobre a gestão do plantel, o papel de Ronaldo e o futuro imediato de Martínez à frente das quinas. Para o Uzbequistão, qualquer ponto conquistado será celebrado como um feito, mas o sonho asiático passa inevitavelmente por contrariar todas as expectativas e continuar a surpreender o mundo do futebol.

Com as emoções ao rubro e as bancadas repletas de adeptos portugueses, a expectativa está ao máximo. A resposta da selecção será determinante não só para o futuro no torneio, mas também para a coesão e moral de um grupo que, apesar do talento, parece viver prisioneiro do passado e da sombra de um capitão que já não consegue carregar a equipa sozinho. O apito inicial em Houston promete espectáculo, tensão e, possivelmente, um novo capítulo dramático na história recente de Portugal nos grandes palcos internacionais.


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