Gianni Infantino, presidente da FIFA, está sob intensa pressão para prestar esclarecimentos sobre os seus laços com Donald Trump, numa investigação liderada pelo deputado democrata Jamie Raskin. Esta iniciativa surge na sequência de preocupações sobre as relações entre a FIFA e o ex-presidente dos Estados Unidos, especialmente após a controversa atribuição de um “prémio de paz” a Trump durante o sorteio do Mundial, em dezembro.
Na passada domingo, Raskin enviou uma carta a Infantino, exigindo a entrega de documentos que detalhem quaisquer presentes, pagamentos ou benefícios concedidos a Trump e seus associados. A solicitação inclui também os registos de visitantes do espaço da FIFA na Trump Tower, adquirido no ano passado, além de um pedido para que Infantino participe numa entrevista transcrita. A investigação surge num contexto onde a relação entre Infantino e Trump foi amplamente criticada, especialmente durante o recente Mundial.
A pressão sobre Infantino aumentou durante o torneio, onde se soube que Trump fez várias chamadas ao presidente da FIFA para solicitar uma revisão da suspensão controversa do avançado norte-americano Folarin Balogun. Embora a FIFA tenha revertido a decisão, a situação criou um ambiente de tensão e descontentamento entre as equipas e federações participantes. Infantino e Trump foram vaiados pelo público no Estádio de Nova Iorque e Nova Jersey durante a apresentação do troféu, após o final do jogo entre Espanha e Argentina.
Na sua carta, Raskin critica Infantino por ter desmantelado as estruturas éticas da FIFA no início do seu mandato, o que permitiu que a organização se aproximasse da administração Trump através de práticas que foram descritas por um professor de direito da Universidade de Nova Iorque como “suborno legal”. O deputado menciona também a polémica em torno da política de bilhética da FIFA, que já está a ser investigada por vários procuradores-gerais nos Estados Unidos devido a alegações de preços abusivos durante o Mundial.
Raskin deu um prazo até 9 de agosto para que Infantino forneça os documentos solicitados e marque a entrevista. Contudo, o deputado enfrenta dificuldades em compelir Infantino a comparecer, uma vez que os democratas não têm a maioria na Câmara dos Representantes, a menos que consiga apoio dos republicanos. A relação da FIFA com o governo dos Estados Unidos continua a ser relevante, especialmente com a expectativa de que o país seja o anfitrião principal da Copa do Mundo Feminina em 2031 e potenciais candidaturas para o Mundial de 2038.
Infantino, por sua vez, utilizou as redes sociais para defender-se das críticas, afirmando que o Mundial foi um sucesso e acusando os críticos de espalharem ódio e narrativas falsas. Enquanto mais de 200 membros da FIFA o apoiam na corrida pela reeleição em março, algumas federações, como a norueguesa, já anunciaram a intenção de apresentar uma queixa formal sobre o envolvimento de Trump na reversão da suspensão de Balogun.
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