À medida que o mês de março se aproxima, a ansiedade e a preocupação em torno da Copa do Mundo de 2026 começam a ser palpáveis. A realidade de que o torneio está a menos de três meses de distância é assustadora. E, sinceramente, estamos apreensivos. O que deveria ser uma celebração do futebol está a ser ofuscado por questões que nos fazem questionar a integridade do evento.
O que torna esta Copa do Mundo particularmente inquietante são os vários problemas que se acumulam, expondo uma nova dimensão de descontentamento. Diferente das edições anteriores, como a do Qatar, onde foi possível ignorar as falhas do anfitrião, a situação atual não oferece essa opção de fuga. A frustração não vem apenas de um lugar de desilusão; é a paixão pelo futebol que nos faz querer amar a Copa do Mundo, mas a realidade é que estamos a ser forçados a enfrentar um evento que é tudo menos grandioso.
Primeiro, temos que falar de Donald Trump. A figura que muitos prefeririam evitar, mas que, inevitavelmente, se impõe. Trump não se contentará em ser um mero espectador; ele se tornará o centro das atenções, buscando crédito pela vitória e possivelmente até tentando roubar o troféu. Sua presença vai ser impossível de ignorar, e a ideia de que ele poderá transformar este torneio em um espetáculo de egocentrismo é perturbadora. Se em eventos passados houve a possibilidade de ignorar os líderes problemáticos, nesta edição, não haverá espaço para isso. A expectativa é de que ele faça tudo, desde interferir na programação até provocar conflitos diplomáticos, trazendo uma aura de caos que poucos conseguem ignorar.
Em seguida, temos Gianni Infantino, o presidente da FIFA, que se tornou um cúmplice involuntário nessa narrativa perturbadora. Sua decisão de alavancar o apoio de Trump, um dos líderes mais divisivos do mundo, é um ato que levanta preocupações sérias sobre os limites entre esporte e política. Apoiar um político controverso não é uma novidade no esporte, mas a maneira como Infantino se entrega a isso é alarmante. A sua obsessão por Trump apenas amplifica a precariedade da situação e deixa um rastro de questionamento sobre as verdadeiras intenções da FIFA.
Mas as coisas não param por aí. O espetáculo se amplia com a presença de celebridades e ex-atletas que se tornam protagonistas de um espetáculo secundário. A situação se torna ainda mais complicada quando figuras do esporte, que antes respeitávamos, parecem se curvar à influência de Trump e Infantino. É desolador ver personalidades como Arsène Wenger se unirem a este circo, defendendo uma liderança que deveria ser questionada. A perda de respeito por esses ícones é um fardo que muitos de nós sentimos.
E não podemos ignorar a sensação de que estamos prestes a ser bombardeados por um excesso de futebol. A nova estrutura do torneio, que agora contará com 48 equipes, promete um número recorde de partidas. Embora a ideia de mais futebol possa parecer atraente, a realidade é que esse excesso pode levar à fadiga dos torcedores. O que deveria ser um evento emocionante pode se transformar em uma maratona desgastante que nos deixa exaustos antes mesmo de chegarmos à fase eliminatória.
Por último, mas não menos importante, estão as polêmicas “pausas para hidratação” que foram introduzidas. Embora a ideia de cuidar da saúde dos jogadores em condições extremas faça sentido, a implementação destas pausas parece mais uma jogada comercial do que uma real preocupação com o bem-estar dos atletas. A transformação do jogo de duas partes em quatro quartos não é apenas uma mudança estrutural; é uma traição ao que o futebol representa. E o fato de a FIFA tentar disfarçar essa mudança sob o pretexto de cuidado com os jogadores é uma afronta à inteligência dos fãs.
O que deveria ser uma celebração do belo jogo está prestes a se transformar em um espetáculo de controvérsias e excessos. A Copa do Mundo de 2026, em vez de ser um evento unificador, parece destinada a se tornar um exemplo de tudo o que pode dar errado quando o esporte se mistura com a política e o comércio. A pergunta que fica é: conseguiremos, como amantes do futebol, apreciar o que deveria ser um momento glorioso, ou estaremos condenados a assistir a um circo que não queremos ver?
