Um incidente alarmante no mundo do futebol está a agitar as águas da comunidade desportiva e a chamar a atenção para a questão da violência racial. O governo português anunciou oficialmente a abertura de uma investigação sobre as alegações de abuso racial dirigidas a Vinicius Jr, jogador do Real Madrid, durante o recente confronto da Liga dos Campeões contra o Benfica. Esta decisão sublinha a gravidade da situação e a necessidade urgente de ação.
Na sua declaração, a Autoridade para a Prevenção e Combate à Violência no Desporto (APCVD) confirmou que já foram iniciados procedimentos para apurar os factos. “A APCVD deu início a processos de infração administrativa para averiguar os acontecimentos”, foi o que se leu num comunicado que foi tornado público na quarta-feira. Este movimento do governo português é um sinal claro de que o abuso racial não será tolerado e que as autoridades estão a levar o assunto a sério.
As declarações de Gianluca Prestianni, que se tornaram o centro da controvérsia, representam o 20º caso de alegações de abuso racial que Vinicius Jr tem enfrentado durante os seus oito anos como jogador do Real Madrid. Este número exorbitante revela uma realidade sombria que precisa de ser abordada. A mudança é não apenas necessária, mas urgente, se quisermos proteger Vinicius e outros jogadores que enfrentam abusos inaceitáveis semana após semana.
A questão que se coloca agora é como responsabilizar Prestianni, uma vez que a sua ação de cobrir a boca dificulta a prova do que realmente foi dito. Vinicius Jr, em uma reação imediata, fez uma declaração contundente nas redes sociais: “Os racistas são, acima de tudo, covardes. Eles precisam colocar a camisa sobre a boca para mostrar quão fracos são.” Este ato de desvio pode não ser uma opção viável para os futuros envolvidos em situações semelhantes.
A questão da responsabilidade não é apenas uma preocupação para os clubes, mas também para os órgãos que governam o futebol. Mikael Silvestre, ex-defesa do Manchester United e membro do painel de jogadores da FIFA, expressou sua indignação e a necessidade de alterações nas regras do jogo. “O nosso grupo no WhatsApp estava a ferver na noite de terça-feira, e estamos a tentar encontrar maneiras de sancionar jogadores que falem enquanto cobrem a boca”, afirmou Silvestre. Ele destacou que a conversa durante o jogo, especialmente quando se trata de hostilidade, deve ser tratada com seriedade.
Silvestre também criticou a falta de comunicação durante o incidente. O árbitro François Letexier sinalizou que o protocolo em resposta ao abuso racial tinha sido ativado, mas, segundo ele, deveria haver um anúncio claro no estádio para informar os espectadores. “Precisamos de tornar todos cientes—incluindo os fãs no estádio—e o árbitro deveria ser capaz de comunicar claramente o que estava a acontecer”, lamentou.
Enquanto a investigação da UEFA continua, o Real Madrid, em uma demonstração de apoio a Vinicius Jr, revelou que já enviou toda a evidência disponível ao organismo. O clube expressou em um comunicado firme a sua colaboração ativa na investigação: “O nosso clube tem colaborado ativamente com a investigação iniciada pela UEFA após os episódios inaceitáveis de racismo vividos durante esse jogo. O Real Madrid agradece o apoio unânime, a solidariedade e o carinho que o nosso jogador Vinicius Jr tem recebido de todas as áreas da comunidade do futebol global.”
Entretanto, a solidariedade em torno de Vinicius Jr não é universal. O Benfica e outros sectores mostraram-se menos favoráveis, acentuando a divisão existente. A questão do racismo no futebol é uma ferida aberta que não pode ser ignorada, e a luta contra ela exige uma resposta robusta e coesa de todas as partes envolvidas. A pressão para que mudanças significativas sejam implementadas no futebol europeu é crescente, e o tempo para agir é agora.
