O fenómeno conhecido como “O Efeito LIV” está a incendiar o mundo do golfe, e Cameron Smith é o epicentro desta tempestade. Depois de um colapso devastador no Masters de Augusta 2026, o australiano viu a sua reputação abalada de forma dramática, com seis cortes consecutivos falhados em majors a levantar uma pergunta que não quer calar: será que a sua ligação à controversa Liga LIV está a destruir a sua carreira?
Em 2022, Cameron Smith parecia imparável. Depois de uma vitória histórica no Open Championship em St Andrews, onde brilhou com uma ronda final de 64, esperava-se que continuasse a ser um dos grandes protagonistas dos majors. No entanto, desde que assinou um contrato milionário com a LIV Golf, avaliado entre 140 a 150 milhões de dólares, o seu desempenho em grandes torneios tem sido dececionante. No Masters deste ano, Smith exibiu um jogo instável com rondas de 74 e 77, concluindo sete pancadas acima do par e falhando o corte por três tacadas. Esta foi a sua sexta falha consecutiva em cortes de majors, um registo preocupante que contrasta fortemente com os resultados antes da sua adesão à LIV.
Antes da mudança para a Liga LIV, Smith tinha um histórico sólido em Augusta: três top-10 consecutivos entre 2020 e 2022, incluindo um impressionante segundo lugar em 2020 e um terceiro em 2022. Já dentro da LIV, os resultados começaram por ser razoáveis, com um 34º lugar em 2023 e um sexto em 2024. Contudo, a partir de 2025 a tendência invertida tornou-se evidente, com o australiano a falhar o corte em todos os quatro majors daquele ano, um feito inédito para um profissional do seu calibre. A continuidade dessa má forma em 2026, com um novo corte falhado no Masters, só reforça a ideia de que algo está profundamente errado.
Este caso não é isolado. Jon Rahm, campeão do Masters em 2023, também tem sentido o peso da mudança para a LIV, sem conseguir conquistar um terceiro major desde então. No Masters de 2026, Rahm conseguiu passar o corte, mas ficou muito longe da liderança, terminando com rondas de 78 e 70, a 16 tacadas do líder Rory McIlroy.
O cenário no Masters deste ano revela um panorama preocupante para a LIV Golf. Dos 10 jogadores da Liga presentes em Augusta, metade não conseguiu ultrapassar o corte. O caso mais emblemático foi Bryson DeChambeau, que chegava como favorito, após duas vitórias consecutivas na LIV, mas desfez-se num triple bogey no último buraco da sexta-feira, terminando o torneio a seis pancadas acima do par. Entre os que sobreviveram, apenas Tyrrell Hatton, com quatro abaixo do par, parecia capaz de incomodar McIlroy. A derrota precoce de DeChambeau, o jogador LIV mais preparado para Augusta, evidencia a falta de competitividade da liga nos grandes palcos.
O analista de golfe Brandel Chamblee não teve dúvidas ao criticar os jogadores da LIV: “Eles não estão a ser desafiados, não estão a ser testados, e por isso não estão preparados.” Esta análise brutal reflete-se nos números: Cameron Smith, apesar das dificuldades nos majors, mantém-se competitivo na LIV, com um 8º lugar em Adelaide, outro em Singapura, e ocupa a segunda posição em scrambling na temporada de 2026. O problema parece ser mesmo a incapacidade de render ao mais alto nível quando está em jogo a pressão dos grandes torneios.
Nas redes sociais, a indignação é palpável. A sequência negra de Smith não passou despercebida aos fãs, que veem nela um padrão que já dura dois anos. Comentários como “Outro jogador que beneficiaria imenso se regressasse ao DP World e à PGA Tour” ou “O Efeito LIV” proliferam, sugerindo que a ligação à LIV está a minar o desempenho dos seus atletas. A saída de Koepka da LIV antes de 2026 só acrescenta combustível a esta narrativa.
O descontentamento dos adeptos é claro: “A LIV destruiu grandes jogadores,” escreve um seguidor. Muitos apontam para a falta de competitividade inerente ao formato LIV, que não tem cortes durante o fim de semana, removendo a pressão do “making the cut” que define os majors. “Eles pegaram no dinheiro da LIV e pararam de praticar, aparecem no dia do jogo apenas para se divertir, sem qualquer edge competitivo,” comenta outro fã.
Cameron Smith entra agora numa fase decisiva da sua carreira e da temporada de majors de 2026. A questão que permanece é se haverá resposta possível sem uma mudança radical no seu calendário competitivo. O “Efeito LIV” está a provar ser uma sombra pesada que ameaça apagar o brilho de jogadores que já foram estrelas absolutas nas competições mais prestigiadas do golfe mundial. Para Smith e outros, o relógio está a contar – o futuro do seu legado pode muito bem depender daquilo que fizerem a seguir.
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