Jon Rahm, estrela da LIV Golf e campeão do Masters em 2023, enfrenta um dos momentos mais negros da sua carreira no lendário Augusta National. A sua primeira volta no Masters 2026 foi um autêntico pesadelo: 6 pancadas acima do par, um total de 78 tacadas, sem um único birdie ou eagle, e um lugar desesperante no 73º posto da tabela. Este desempenho marca o pior resultado de Rahm em 37 voltas disputadas neste mítico campo, um facto que abala qualquer expectativa sobre o espanhol nesta edição.
O começo não podia ter sido pior: bogey logo no primeiro buraco, seguido de mais três bogeys na primeira metade do percurso. No par-5 do 13º buraco, Rahm sofreu um duplo bogey que selou a sua pior exibição em Augusta. Curiosamente, este padrão de dificuldades no início da prova não é novo para o jogador, que no ano passado já tinha somado cinco bogeys nos primeiros 11 buracos, apesar de ter conseguido recuperar com dois birdies e acabar em 14º lugar.
Com um início de temporada brilhante na LIV Golf, onde obteve um segundo lugar em Riyadh e Adelaide, uma vitória em Hong Kong, um quinto lugar em Singapura e outro segundo lugar na estreia do circuito na África do Sul, a queda no Masters surpreendeu e desiludiu muitos fãs. Contudo, Rahm sabe que Augusta é um desafio brutal: “É um campo muito difícil”, admitiu após o primeiro dia. “Alguns jogadores conseguem gerir uma volta respeitável, mas quando não se tem feeling para o swing, torna-se quase impossível. É frustrante estar nesta posição, a precisar de um esforço hercúleo nos próximos dois dias para me dar uma pequena hipótese de vitória.”
Especialistas do golfe, como Eamon Lynch, não pouparam críticas ao espanhol, sugerindo que a sua mente está mais preocupada com questões externas, nomeadamente a sua elegibilidade para a Ryder Cup, do que com o desempenho no Masters. Lynch acusa Rahm de trazer uma narrativa “distraidora” para Augusta, devido às negociações em curso sobre multas e mínimos de participação no DP World Tour, ligações que afectam a sua imagem e concentração. “Esta é a terceira vez desde que ganhou o Masters que aparece aqui com uma história à volta que só ele cria. O seu foco está dividido, e isso pesa na sua performance,” afirmou Lynch, que vai mais longe, dizendo que a passagem para a liga saudita da LIV Golf terá mesmo prejudicado o seu jogo.
Apesar do desastre na primeira volta, Augusta National é famoso por reviravoltas inesperadas. Jon Rahm ainda tem a oportunidade de transformar o seu percurso e garantir a passagem para o fim de semana, mas para isso precisa de uma reviravolta impressionante na segunda volta. A pressão está ao rubro e o espanhol terá de superar não só o campo, mas também as suas próprias dúvidas e os fantasmas que o acompanham neste momento delicado da sua carreira. A pergunta que fica no ar é: conseguirá Rahm levantar-se deste colapso histórico e provar que ainda é um dos maiores nomes do golfe mundial?
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