Masters 2026: A maldição dos líderes a 54 buracos

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Augusta está em polvorosa com a liderança conjunta de Rory McIlroy e Cameron Young no Masters 2026, mas será que esta vantagem de 54 buracos é mesmo uma garantia de conquista do cobiçado casaco verde? Apesar dos 51 campeões do Masters terem confirmado o favoritismo após liderar na penúltima ronda, incluindo McIlroy na edição passada, uma sombra recente paira sobre os favoritos: a maldição do líder após 54 buracos parece estar mais viva do que nunca neste ano no PGA Tour.

Num ano marcado por surpresas e reviravoltas, apenas quatro dos 13 líderes após a terceira ronda conseguiram sustentar a liderança até ao fim, uma taxa alarmante de apenas 30,7%. Este fenómeno não é exclusivo dos líderes isolados, mas também se manifesta em jogadores que pareciam encaminhar-se para a vitória nas últimas tacadas. Exemplos recentes são escandalosos:

– Hideki Matsuyama, que liderava com apenas uma tacada no último buraco do WM Phoenix Open, desmoronou-se com dois bogeys consecutivos, acabando por perder para Chris Gotterup no playoff. – Shane Lowry viu a vitória escapar por entre os dedos ao cometer dois duplos bogeys nas últimas três tacadas do Cognizant Classic, deixando Nico Echavarria triunfar. – Daniel Berger, com uma vantagem de cinco tacadas a nove buracos do fim no Arnold Palmer Invitational, falhou o encerramento e sucumbiu perante Akshay Bhatia num desempate.

Estaremos perante um fenómeno isolado ou uma tendência crescente no circuito? Analisando dados recentes, a taxa de conversão dos líderes ao fim de 54 buracos tem oscilado: em 2025, 53,3% dos líderes confirmaram a vitória; em 2024, essa percentagem subiu para 66,7%; e em 2023 foi de 57,1%. Portanto, a atual crise de liderança pode revelar-se uma anomalia, mas alerta para a pressão brutal que pesa sobre os favoritos.

Cameron Young chega a este domingo no Masters com um ânimo renovado após uma recuperação impressionante. Depois de começar o torneio quatro tacadas acima do par, Young disparou uma volta de 65 no sábado, a melhor do dia e a sua melhor até agora em Augusta. “Gosto da posição em que estou”, declarou Young, que já venceu quando liderava após 54 buracos na sua carreira, no Wyndham Championship em agosto passado. “Se me dissessem na quinta-feira ao meio-dia que estaria a dois do líder no domingo, teria aceite de imediato, especialmente a ver o Rory jogar.”

Por outro lado, McIlroy, que chegou a ter uma vantagem histórica de seis tacadas após 36 buracos — a maior alguma vez vista no Masters — viu essa liderança esvair-se devido a dificuldades no tee e uma ronda de 73, uma tacada acima do par, num dia em que a média das tacadas foi a mais baixa desde 2018. “Tenho de focar-me nos aspetos positivos, embora não sejam muitos”, disse McIlroy. “Consegui recuperar e fiz bons tiros na parte final, mas sei que terei de fazer melhor para ter uma hipótese amanhã.”

Com vasta experiência em liderar após 54 buracos — já o fez 21 vezes no PGA Tour, convertendo 12 em vitórias — McIlroy sabe o que está em jogo e a pressão que isso implica. Já Young sente que o triunfo no último Players Championship lhe deu maior visibilidade, embora reconheça que a popularidade do norte-irlandês atrairá mais fãs. “Não sinto que vá ser o favorito do público, mas o apoio tem crescido no último ano. Vai ser desequilibrado, porque o Rory é um ícone mundial do golfe”, afirmou.

Para os amantes do golfe e seguidores do Masters, o domingo promete ser uma batalha épica entre uma estrela em ascensão e uma lenda em busca de mais um título. A maldição do líder de 54 buracos será quebrada? Ou iremos assistir a mais um capítulo dramático de desilusões e surpresas em Augusta? Uma coisa é certa: a história do Masters 2026 está longe de estar escrita.

Este artigo aparece primeiro em Apito Final.

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