Será que a maré dos canhotos vai continuar no Valero Texas Open? Robert MacIntyre, o escocês que está a dominar o torneio, está a um passo de fazer história e garantir a terceira vitória consecutiva para os jogadores esquerdinos num dos eventos mais prestigiados do PGA Tour. Será que o TPC San Antonio tem mesmo um “fator canhoto” ou é apenas coincidência?
No arranque da competição, MacIntyre mostrou-se imparável, assinando uma ronda impressionante de 64 pancadas, oito abaixo do par, a melhor do torneio até agora. Com este desempenho, o jogador de 26 anos soma um total de 14 abaixo do par após 36 buracos, liderando com quatro pancadas de vantagem sobre o sueco Ludvig Aberg, seu companheiro de equipa na Ryder Cup. Este domínio coloca-o numa posição privilegiada para conquistar o troféu que já pertenceu a dois canhotos nos últimos anos: Akshay Bhatia e Brian Harman.
Questionado sobre a supremacia dos golfistas esquerdinos no Valero Texas Open, MacIntyre mantém a humildade: “Não sei se o facto de sermos canhotos ajuda, as pessoas têm tido bons resultados, mas eu não me preocupo com isso. Apenas venho, aqueço de manhã e concentro-me no jogo.” A sua abordagem pragmática está a dar frutos e o seu jogo está afinado para o Masters, onde já está isento, ao contrário de muitos colegas que ainda lutam pela qualificação.
MacIntyre explicou a escolha de incluir o Valero Texas Open no seu calendário este ano: “Quis fazer um ajuste para estar afiado antes do Masters. Prefiro jogar uma, duas ou até três competições antes de um major para chegar no meu melhor.” E a verdade é que o seu plano está a funcionar na perfeição.
A sua segunda volta começou no buraco 10, onde rapidamente somou um birdie seguido de uma extraordinária águia no 14, com um putt de apenas dois metros. Fechou a ronda com quatro birdies nos últimos cinco buracos, numa demonstração de concentração e precisão que poucos conseguem. Aberg, que tem sido seu parceiro nestas primeiras rondas, também mantém o ritmo com duas voltas de 67, ocupando isoladamente o segundo lugar.
Fora do campo, MacIntyre vive um momento de ouro. Recentemente tornou-se pai de um menino, Findlay, que nasceu em janeiro, e não esconde a felicidade: “Não sei se alguma vez a minha vida foi melhor.” Além disso, diverte-se com a gastronomia local, elogiando a comida mexicana do restaurante La Hacienda e saboreando bowls de açaí com o caddie.
Apesar de já ter conquistado dois títulos no PGA Tour em 2024 – o RBC Canadian Open e o Genesis Scottish Open, seu Open nacional –, MacIntyre procura voltar a vencer após um período sem triunfos. O ano passado deixou boas indicações, com um segundo lugar no US Open e um grande avanço no BMW Championship, onde acabou por ser ultrapassado no final por Scottie Scheffler.
Com o aumento do vento e a previsão de chuva para o fim de semana, o escocês sente-se preparado para o desafio: “É um grande teste de atitude. Somos todos excelentes jogadores, mas se não estivermos na mentalidade certa, não vai acontecer. Crescer a jogar na Escócia, onde o tempo é imprevisível e o meu pai é superintendente de campos, ajuda muito.” Para MacIntyre, a chave está clara: “Continuar a confiar no que estou a fazer e atacar. É simples assim.”
O Valero Texas Open está a ferver, e Robert MacIntyre, com a sua mão esquerda afiada, luta para manter a tradição dos canhotos e garantir uma vitória que ficará para a história do golfe. Será ele o próximo a escrever o seu nome na lista dos campeões canhotos neste torneio lendário? Fique atento, porque o espetáculo está longe de terminar.
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