Augusta está a assistir a um fenómeno sem precedentes no Masters 2026, e o protagonista é Rory McIlroy, o campeão do ano passado, que está a construir uma vantagem monstruosa rumo à conquista da sua segunda jaqueta verde. Com uma exibição simplesmente avassaladora, o golfista irlandês do Ulster está a transformar os sonhos em realidade, deixando os adeptos em êxtase e os concorrentes em estado de choque.
Na sexta-feira à tarde, ainda no final da segunda ronda, McIlroy foi recebido com uma ovação que normalmente só se reserva aos grandes lendas que ostentam a jaqueta verde — pense em Nicklaus, Palmer, Player ou Woods. A multidão em Augusta National levantou-se, aplaudiu e acompanhou o seu percurso até ao 18.º green como se já fosse uma verdadeira coroação. Rory retirou o boné e acenou, um gesto que não teve oportunidade de fazer com tanto entusiasmo na intensa luta do playoff do ano anterior contra Justin Rose. A luz do final da tarde, os fairways banhados pelo sol, tudo parecia conspirar para um domingo histórico.
O Ulsterman assinou uma das melhores voltas da sua carreira: nove birdies, seis deles nos últimos sete buracos, para um impressionante 65, sete abaixo do par. Esta performance espetacular deu-lhe uma vantagem de seis tacadas no meio do torneio — a maior liderança após 36 buracos em 90 anos de história do Masters. Só seis outros jogadores tiveram uma vantagem de cinco tacadas após a metade do torneio, e apenas Harry Cooper, em 1936, não conseguiu transformar essa liderança em vitória.
Com 36 anos, McIlroy está agora na posição privilegiada de poder juntar-se a um seleto grupo de lendas, tornando-se apenas o quarto jogador a conquistar a jaqueta verde duas vezes consecutivas, ao lado de nomes míticos como Jack Nicklaus, Tiger Woods e Nick Faldo. Com a vantagem que possui, é o favorito incontestável à vitória.
Porém, o próprio McIlroy mantém os pés no chão. Na sua entrevista pós-volta, o irlandês não escondeu o sorriso, mas foi peremptório: “Sei o que pode acontecer aqui. Não preciso que me lembrem para não me antecipar.” Uma clara referência à sua histórica queda no back-nine de 2011, quando liderava com uma tacada e terminou a jogar para 43. Agora, com uma liderança de seis tacadas e 36 buracos para jogar, o desafio é ainda maior, mas McIlroy promete não se fechar: “Não se trata de proteger a vantagem. Tem de se continuar a jogar livremente, a tentar fazer birdies, a confiar e a manter o compromisso.”
Curiosamente, McIlroy tem estado longe da sua melhor forma no driving, uma das suas armas habituais. Classificado em 90.º lugar em precisão após as duas primeiras rondas, poderia ter sido um desastre anunciado. No entanto, a sua precisão com os ferros e wedges (quarto melhor no SG/tee to green) e a eficácia no putt (décimo melhor) têm compensado largamente. Fez sete birdies em oito tentativas nos par 5, sem acertar num único fairway, muitas vezes “saindo das árvores” com mestria. O segredo? “Keep swinging” — continuar a bater, sem hesitar, um mantra que, segundo ele, tem sido crucial nesta semana.
A experiência acumulada e a vitória do ano passado parecem ter transformado a sua mentalidade, antes guiada pela cautela, numa abordagem mais agressiva e confiante. “Passei tanto tempo neste campo nas últimas três semanas, a praticar, a jogar bolas, a tentar situações diferentes. Isso fez toda a diferença,” revelou McIlroy, que até se tornou uma presença constante em Augusta, visitando o campo várias vezes e conciliando a rotina familiar com a preparação.
Na segunda volta, o irlandês surpreendeu até a si próprio com a forma como dominou a reta final. Apesar de ter sofrido um bogey no 10, respondeu com seis birdies consecutivos entre o 12.º e o 18.º buraco, deixando para trás o ex-campeão Patrick Reed, que não conseguiu acompanhar o ritmo. “Senti que estava no flow, tudo parecia positivo, cada situação apresentava uma oportunidade para birdie,” explicou o golfista.
Com o campo a secar e o vento a soprar, muitos pensaram que um resultado à volta dos dígitos simples poderia ser suficiente para ganhar o Masters este ano. McIlroy não só rompeu essas expectativas como colocou a fasquia muito mais alta, desafiando até o recorde de Tiger Woods, que venceu com 12 tacadas de vantagem em 1997. Contudo, Rory recusa-se a ser visto como um intimidante no campo: “Golf é um jogo incrível porque és tu, a bola e o campo. Não deverias ser afetado por mais ninguém.”
A verdade é que, neste momento, Rory McIlroy está a caminhar para fazer história em Augusta, e quem estiver a assistir não vai querer perder um segundo desta saga épica que se está a escrever no Masters 2026. A luta pela segunda jaqueta verde consecutiva está lançada, e o irlandês parece estar prestes a dominar mais uma vez o cenário do golfe mundial.
Este artigo aparece primeiro em Apito Final.
