Quarta-feira, Fevereiro 25, 2026

A luta das mulheres por igualdade salarial no ténis e os avanços recentes

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O ténis é, sem dúvida, um dos desportos que mais se destaca na luta pela igualdade de género, mas a jornada rumo ao pagamento igualitário tem sido uma batalha lenta e cheia de desafios. Desde os tempos de Billie Jean King, que ameaçou boicotar torneios nos anos 70, até ao plano moderno da WTA que visa a igualdade total nos prémios até 2033, a luta por um campo de jogo nivelado tem redefinido o desporto. Neste artigo, exploramos a história do fosso salarial de género no ténis, as figuras icónicas que desafiaram o status quo e quão perto estão as competições profissionais de alcançar a simetria financeira.

O primeiro grande passo rumo à igualdade salarial deu-se no US Open de 1973, que se tornou no primeiro torneio a oferecer prémios iguais tanto para homens como para mulheres. No entanto, esta decisão não foi seguida de imediato pelos outros três Grand Slams. O Australian Open, por exemplo, reverteu a sua decisão inicial em 1984, só voltando a implementar a igualdade de prémios em 2001. Roland Garros e Wimbledon também se juntaram à causa em 2007, com o torneio francês a anunciar a igualdade de prémios um ano antes. Este percurso não foi fácil, e o nome de Billie Jean King brilha como símbolo desta luta.

Billie Jean King, uma das maiores lendas do ténis, viu a sua primeira vitória em Wimbledon em 1968 recompensada com £750, enquanto Rod Laver, no lado masculino, arrecadava £2,000. Esta disparidade chocante alimentou a determinação de King em lutar por um tratamento igualitário. Em 1970, juntamente com outras oito mulheres, formou as “Original Nine”, criando uma liga independente que culminou na formação da Women's Tennis Association (WTA). O seu esforço culminou no US Open de 1973, onde se estabeleceu um marco com a oferta de prémios iguais.

Embora a igualdade salarial tenha sido alcançada nos principais torneios, ainda existem disparidades significativas em várias competições. Apesar de os quatro Grand Slams agora pagarem igualmente, muitos eventos, como os Masters 1000, ainda apresentam uma grande diferença nos prémios. Por exemplo, enquanto Madrid e Miami garantem igualdade, torneios como Indian Wells e Roma têm disparidades que variam de 3% a 34% em favor dos homens.

A controvérsia em torno da igualdade salarial no desporto é um tema debatido há anos, não apenas no ténis, mas em várias modalidades. Os defensores da igualdade argumentam que as atletas femininas treinam arduamente, competem em pé de igualdade e atraem uma vasta audiência global, mas ainda assim enfrentam um fosso salarial. As oposições a este argumento frequentemente se baseiam em questões de audiência e cobertura mediática, onde os homens tendem a gerar mais receita comercial, levando os organizadores a justificar o pagamento desigual.

Além das questões de prémios, a cobertura mediática tende a favorecer os homens, resultando em uma desproporção na visibilidade e nas oportunidades de patrocínio. O impacto é visível: mais de quatro milhões de espectadores assistiram à final masculina de Wimbledon em comparação com a feminina.

No entanto, o futuro parece promissor. A WTA comprometeu-se a alcançar a igualdade de prémios em eventos WTA 1000 e 500 até 2027, com uma meta ambiciosa de 2033 para torneios independentes. Esta evolução está intimamente ligada à parceria de $150 milhões com a CVC Capital Partners, além da possibilidade de uma “Premium Tour” que uniria os direitos comerciais das duas tours – ATP e WTA.

Embora ainda haja um longo caminho a percorrer, a luta pela igualdade salarial no ténis representa uma esperança não apenas para o desporto, mas para todas as mulheres que aspiram a um tratamento justo em todos os setores. A determinação de figuras como Billie Jean King e Venus Williams continua a iluminar o caminho para a igualdade, solidificando o ténis como um líder nesta luta vital.

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