Arthur Fils, o jovem prodígio do ténis francês, não escondeu a sua desilusão após uma derrota esmagadora na final do Qatar Open, onde foi derrotado em menos de uma hora pelo imbatível Carlos Alcaraz. A derrota por 6-2, 6-1, que durou menos de 50 minutos, não só representa o encontro mais rápido da carreira de Alcaraz, como também reafirma a sua invencibilidade no início da temporada de 2026. Para Fils, esta foi uma experiência amarga, mas também um importante passo na sua trajetória, pois, apesar do revés, conseguiu subir sete posições no ranking ATP, atingindo agora o 33º lugar.
Após o jogo, Fils foi direto e crítico consigo mesmo, sem procurar desculpas para a sua performance. “Atualmente, não estou ao nível dele”, afirmou, reconhecendo a diferença gritante entre ele e o número um do mundo. O jovem de 19 anos admitiu que não conseguiu reproduzir o nível de jogo que o levara até à final, subestimando a força e a intensidade que Alcaraz trouxe ao court desde o primeiro ponto. “Ele não perdeu um único jogo desde o início do ano, e você entende porquê”, destacou Fils, evidenciando a pressão constante que o espanhol exerce sobre os seus adversários.
“O jogo foi muito rápido”, continuou Fils, sublinhando como a pressão no placar e a intensidade do jogo de Alcaraz foram determinantes. “O que é preciso para competir com um jogador assim? Quase tudo. É um jogo muito rápido, ele coloca muita pressão desde o início, e foi um pouco complicado. Estas coisas acontecem, teremos que analisar o jogo e ver como correu”, disse, refletindo sobre a magnitude do desafio que representa enfrentar um atleta da estatura de Alcaraz.
Apesar da derrota, Fils procurou ver o lado positivo da situação, destacando a importância da sua presença na final após uma longa recuperação de uma fratura nas costas que o afastou das competições por oito meses. “É tudo uma questão de mentalidade; o objetivo é manter uma atitude positiva. Chegar a uma final após uma pausa de oito meses é algo que me deixa feliz. Hoje foi um pouco mais complicado, mas estas coisas acontecem e temos que seguir em frente”, afirmou. Ele também fez questão de agradecer à sua equipa, reconhecendo o apoio vital que recebeu durante a sua recuperação: “Foram oito meses longos com a minha lesão. Nestes momentos, você deve pensar nos últimos oito meses em que estive a lutar, sem jogar ténis. Quero agradecer à minha equipa… Hoje não foi o dia, mas fizemos um trabalho excelente.”
A próxima parada de Fils será em Dubai, onde está agendado para enfrentar Jiri Lehecka na primeira ronda. A decisão de competir ou descansar antes de Indian Wells será tomada em conjunto com a sua equipa. Após uma final tão reveladora em Doha, Fils admitiu que a sua prioridade é “trabalhar nisso” e reduzir a diferença que se tornou evidente em menos de uma hora de jogo.
Carlos Alcaraz, por sua vez, elogiou a resiliência do seu adversário, mesmo com o resultado desequilibrado. “Arthur, é um prazer partilhar o court contigo. Mais do que os resultados, fico realmente feliz por te ver novamente em competição. Sei que lutaste fisicamente”, disse Alcaraz, destacando os desafios que Fils teve de superar. “É incrível poder esquecer as lesões e voltar a jogar um grande ténis… chegar a finais, é uma satisfação partilhar o court e o torneio contigo. Um grande trabalho com a tua equipa e família. Continua assim, certamente teremos grandes momentos pela frente.”
As palavras de Alcaraz não só refletem o respeito que ele tem pelo talento emergente de Fils, mas também a complexidade e as dificuldades que os tenistas enfrentam ao longo das suas carreiras. A jornada de Fils está longe de terminar, e a sua determinação em se tornar um competidor de elite é mais evidente do que nunca.
