Damir Džumhur e família são alvos de ameaças de morte

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O ténis está a ser assolado por uma onda crescente de ódio online que já ultrapassa todos os limites da decência e da segurança. Jogadores de topo, como Damir Džumhur, Lucrezia Stefanini, Roman Burruchaga e Panna Udvardy, têm sido vítimas de ameaças de morte e ataques virtuais violentos, ligados sobretudo à frustração dos apostadores que perdem dinheiro. O último caso chocante veio após a vitória suada de Džumhur em Bucareste, quando o seu irmão recebeu mensagens aterradoras que expõem o lado mais sombrio do desporto.

Depois de um triunfo dramático por 6-3, 4-6, 7-6(4) contra Filip Cristian Jianu, Damir Džumhur viu a sua família ser arrastada para o centro de uma tempestade digital. Zlatan Džumhur, seu irmão, partilhou no Instagram uma mensagem que lhe chegou: “Não sei o que @damirdzumhur significa para ti, mas desejo-lhe a ele e a toda a sua família uma morte lenta e cheia de sofrimento.” Uma declaração brutal que, infelizmente, não é caso isolado.

Zlatan denunciou publicamente este abuso online e deixou um alerta severo: “Recebo mensagens assim com frequência e é incrível como as pessoas se sentem à vontade para dizer coisas que nunca diriam cara a cara.” O impacto psicológico deste tipo de ataques é devastador. “Imaginem só o que os atletas e figuras públicas enfrentam todos os dias. A intensidade e a negatividade constante são de outro nível,” acrescentou, criticando também o papel das redes sociais em permitir que este comportamento se propague com facilidade. “Normalizamos este tipo de atitudes online, esquecendo que há pessoas reais do outro lado do ecrã.”

Damir Džumhur não ficou calado e reagiu, partilhando o post do irmão no seu próprio Instagram, repudiando com veemência este tipo de ódio: “Isto está tão doente! Aceito que não posso mudar tudo na vida, mas isto, estas pessoas que me escrevem as piores coisas depois dos jogos, é inaceitável.” A frustração aumenta quando as ameaças se estendem à sua família: “Como é que alguém pode ser tão doente para fazer isto?” questionou o tenista bósnio, colocando em causa a direção da sociedade atual.

Este não é um caso isolado no circuito ATP e WTA. No ano passado, a britânica Katie Boulter também foi alvo de mensagens horríveis após uma derrota apertada no Open de França. Entre as ameaças, havia desejos de cancro, profanação de túmulos e até insultos cruéis ligados a perdas de apostas feitas por familiares. “Vai para o inferno, perdi o dinheiro que a minha mãe me enviou,” lia-se num dos textos, ilustrando o extremo da hostilidade que os jogadores enfrentam.

Jessica Pegula, estrela norte-americana e membro do conselho da WTA, também levantou a voz contra esta epidemia de abuso. Após uma derrota inesperada no Roland Garros, ela expôs publicamente várias mensagens agressivas e pessoais que recebeu. “Estes apostadores são insanos e delirantes,” desabafou, revelando o quão enraizada está esta crise no ténis. Pegula explicou que tenta proteger-se desligando as mensagens diretas e controlando os comentários nas redes sociais, mas mesmo assim o ódio consegue chegar-lhe. “Será que outros desportos têm este nível de abuso? Quero acreditar que não, mas parece que é no ténis que isto acontece mais,” afirmou, sublinhando a gravidade do problema.

Os ataques vão além do desempenho desportivo; chegam a atingir a vida pessoal dos atletas. Uma das mensagens dirigidas a Pegula acusava-a de manipular resultados e desejava tragédias familiares, o que evidencia a crueldade e desumanização que ronda o ténis atualmente.

O apelo de Pegula é claro e urgente: “O abuso online é inaceitável e nenhum jogador deve suportá-lo. É hora da indústria das apostas e das redes sociais agirem na origem do problema para proteger quem está na linha da frente destas ameaças.”

Com o caso de Damir Džumhur agora a ganhar destaque, cresce a pressão sobre as entidades que governam o ténis para que tomem medidas eficazes e urgentes. A saúde mental dos jogadores está em risco, e se nada for feito, o desporto pode estar a perder mais do que apenas partidas – pode estar a perder a sua integridade e humanidade. É hora de pôr fim a esta epidemia de ódio antes que seja tarde demais.

Este artigo aparece primeiro em Apito Final.

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