Novak Djokovic sofreu mais do que o esperado para superar Valentin Royer num duelo extenuante marcado pelo calor sufocante e pela resistência física de ambos os tenistas. O sérvio, considerado um dos maiores da modalidade, parecia encaminhar-se para uma vitória confortável em três sets, mas viu o adversário francês resistir até ao tie-break do terceiro parcial, que acabou por vencer, obrigando à disputa do quarto set, onde Djokovic recuperou o controlo e garantiu a qualificação. A batalha prolongou-se por três horas e meia, colocando à prova a capacidade física do antigo número um do mundo, que não escondeu as dificuldades sentidas.
“Três horas e meia são longas e exaustivas na terra batida. Pelo menos essa é a minha opinião. Gastei muita energia hoje, num dia realmente quente. Foi também culpa minha por não fechar em três sets, apesar de ter estado por duas vezes em vantagem por um break e até ter tido um match point no tie-break. Fui demasiado passivo e ele aproveitou a oportunidade com o apoio do público”, admitiu Djokovic em conferência de imprensa, reconhecendo a mudança de momentum do encontro. “A inércia mudou nesse momento, mas consegui reorganizar-me no quarto set. Foi uma batalha dura, talvez o resultado não o reflita. Ele jogou a um nível elevado e soube muito bem o que fazer tacticamente. É uma boa vitória, ainda que passar tanto tempo em court não seja o ideal para mim.”
Por seu lado, Valentin Royer não escondeu a satisfação pela sua prestação frente a um gigante do ténis, lançando também uma provocação subtil a Djokovic, que não passou despercebida. “Fisicamente, gostava de ter ido ao quinto set para ver como ele aguentaria. Vi-o a queixar-se um pouco, a fazer stretching. Mas está bem, é típico do Novak. Normalmente faz isso para tentar perceber como o adversário reage. Mas isso não me influenciou. Tentei manter a minha linha de jogo, sobretudo no terceiro e quarto sets, porque é um jogador excecional. Mesmo que se queixe das costas, de dores ou do que for, corre e vai buscar todos os pontos”, afirmou o francês, deixando claro que não se deixou intimidar pelas queixas do número um.
O jovem de 25 anos explicou o que representou para si enfrentar um oponente desta dimensão e a sua abordagem mental durante o encontro: “Foi simplesmente impressionante nos primeiros dois ou três jogos. Depois entrei no jogo. Disse a mim mesmo que estava a defrontar um jogador como outro qualquer, com um bom nível de jogo e um palmarés excecional. Quando o Marc anunciou o seu palmarés durante o aquecimento, nem ouvi, estava na minha bolha, concentrado em mim próprio, porque tínhamos feito um bom briefing antes do jogo, para não jogar contra uma lenda, mas simplesmente contra um jogador de ténis. Se jogares contra uma lenda, perdes antes mesmo de entrar em campo. O objetivo é jogar a bola, não a lenda. Para mim foi importante manter o foco no que tinha a fazer.”
Este duelo demonstrou que, apesar da experiência e estatuto de Djokovic, o ténis moderno não perdoa e que a resistência mental e física pode ser posta à prova mesmo pelos adversários menos favoritos. Royer saiu do encontro com a confiança reforçada, enquanto Djokovic terá de reflectir sobre a gestão do esforço e as estratégias para evitar surpresas semelhantes nos próximos desafios. A luta continua, e o ténis não dá tréguas a ninguém.
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