O regresso de Serena Williams ao ténis, após quase quatro anos de ausência, abalou por completo o universo da modalidade e desviou todas as atenções dos verdadeiros protagonistas do momento: os jogadores em competição no Grand Slam. Andrea Petkovic, ex-tenista e agora comentadora, não escondeu a sua frustração com a avalanche mediática que se gerou em torno do ícone norte-americano, considerando mesmo que o circo mediático ultrapassou os limites do razoável e ofuscou o que realmente estava em jogo.
Serena Williams optou por regressar à competição, para já, apenas na vertente de pares, evitando por enquanto o regresso aos singulares. Este regresso foi anunciado antes de ser oficialmente confirmado, com Andrea Petkovic a ser uma das primeiras a avançar a notícia. Durante o mais recente episódio do ‘Becker Petkovic’, Petkovic revelou que foi convidada para comentar a situação durante Roland Garros, mas recusou prontamente, afirmando que o mediatismo em torno da notícia se tornou mais importante do que o próprio Grand Slam. “Em determinado momento, o Grand Slam deixou de ser o mais importante; o regresso da Serena nos pares era mais importante”, lamentou Petkovic, destacando que o foco deveria estar nos jogadores que lutavam em condições adversas, nomeadamente o calor extremo, e não numa lenda que decidiu experimentar o regresso de forma parcial.

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Este episódio tem grande relevância para o ténis internacional, pois evidencia a capacidade que Serena Williams ainda tem de dominar o espaço mediático e de condicionar a narrativa dos grandes torneios, mesmo sem estar envolvida nos singulares. Para muitos, a notícia da sua participação em pares ofuscou completamente os feitos e dificuldades dos restantes atletas em prova. Petkovic considera que se perdeu a noção das prioridades, num momento em que a competição e o sacrifício dos jogadores mereciam o protagonismo. Num contexto em que a modalidade se esforça por criar novas estrelas e captar audiências, o regresso de Serena surge como faca de dois gumes: atrai olhares, mas apaga o brilho dos outros.
Durante a conversa com Boris Becker, Andrea Petkovic foi ainda mais longe, levantando dúvidas sobre as reais intenções da norte-americana. “Na minha opinião, ninguém no mundo, nenhum atleta, regressa voluntariamente aos protocolos de controlo antidoping, muito menos a Serena Williams. Abdica-se de uma parte da liberdade, de uma parte da vida. Sabem onde estás todos os dias, a toda a hora, e podem aparecer a qualquer momento. Muitas vezes aparecem às cinco da manhã, só para incomodar. Desculpa a linguagem, mas é a verdade. Ninguém faz isso, Boris, só para jogar uns pares. Acho que ela está a jogar pares para ver como o corpo reage e se aguenta”, declarou Petkovic, sugerindo que Serena poderá estar a preparar um eventual regresso aos singulares. Ainda assim, não poupou elogios à qualidade demonstrada pela antiga número um mundial: “Vi o encontro de pares dela e devo dizer que esteve fantástica. Serviu a 190 km/h. O estádio estava cheio, todos os bilhetes vendidos. Se conseguir replicar isso nos singulares, nunca conseguiria igualá-la, mas tiro-lhe o chapéu.”
Petkovic recordou também o momento em que, enquanto apresentava um programa na CNN, se recusou a abrir a emissão apenas com a notícia do regresso de Serena: “Irritou-me. Estava a apresentar um programa na CNN e, no dia em que anunciaram o regresso dela, queriam que começasse o programa a falar disso. Recusei. Disse que havia um Grand Slam a decorrer e jogadores a sofrer com o calor. Recusei começar o programa assim. A Serena é uma verdadeira lenda, mas enquanto decorrer um grande torneio, não vou começar o programa dessa forma. Dou mais detalhes depois, mas quero começar o programa a falar dos jogadores que estão a dar tudo.” Para Petkovic, este desvio de atenção é um erro e prejudica o reconhecimento do esforço dos restantes atletas.
O que se segue agora é uma incógnita. Serena Williams vai continuar em pares, ao lado de Karolina Muchova, esta semana em Berlim, mas todos especulam sobre a possibilidade de um regresso em singulares. O impacto da sua presença – mesmo que restrita à variante de pares – já se faz sentir nos media, nas vendas de bilhetes e na atmosfera dos torneios. Se avançar para os singulares, o ténis mundial prepara-se para uma nova onda de entusiasmo, mas também para mais polémica sobre o equilíbrio entre o respeito pela história e o foco nos protagonistas do presente. O universo do ténis aguarda, dividido entre a nostalgia de uma lenda e a necessidade de valorizar quem está agora a lutar por títulos.
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